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GUIA DE APLICAÇÃO DIRETIVA (QUESTÃO ==>
RESPOSTA) + RESUMO Disciplina: Filosofia (ARA0099) |
FILOSOFIA ANTIGA: SÓCRATES, PLATÃO E
ARISTÓTELES
A
filosofia de Sócrates estabelece o
autoconhecimento como ponto de partida para a sabedoria, simbolizado pela
máxima "Conhece-te a ti mesmo"
encontrada no Templo de Apolo em Delfos.
O filósofo utilizava a dialética como método, operando através do
questionamento das opiniões comuns (doxa).
Sua famosa frase "Só sei que nada sei" expressa que o verdadeiro
caminho do conhecimento desconsidera a opinião sobre o que se ignora,
fundamentando-se no reconhecimento da própria ignorância.
O método
socrático divide-se em dois momentos essenciais: a ironia e a maiêutica. A
ironia socrática consistia em fingir ignorância para levar o interlocutor a
perceber suas próprias contradições e a fragilidade de suas certezas. Já a maiêutica é definida como o método de
"dar à luz" novas ideias
através do diálogo, onde o mestre auxilia o aluno a parir seus próprios
conhecimentos internos.
No campo
político, Platão apresenta Sócrates como o exemplo máximo de
político, embora este não participasse das assembleias atenienses. Para Platão,
Sócrates era o verdadeiro político por ser um filósofo que se preocupava com as
questões essenciais da vida: o bom, o
belo e o verdadeiro. Essa visão culmina na proposta do "Rei Filósofo", onde o governo da
cidade ideal deve pertencer aos mais sábios.
A
democracia ateniense, criticada por Platão mas fundamental para o período,
baseava-se em pilares específicos como a isonomia
(igualdade perante a lei), isegoria
(direito de fala na assembleia) e isocracia
(igualdade de acesso ao poder). Para os gregos, a cidadania era restrita aos
homens adultos e livres da comunidade.
Na obra A
República, Platão descreve a
Alegoria da Caverna, que simboliza a trajetória do conhecimento humano. Ela
representa a passagem do mundo sensível, dominado pelas sombras e aparências,
para o mundo inteligível, onde reside a luz das ideias e a verdade.
Em
contraste com Platão, Aristóteles
desenvolve uma crítica à Teoria das Ideias, defendendo a imanência. Para Aristóteles, a essência das coisas não está em um
mundo separado (transcendência), mas nas próprias coisas (imanência). Ele
define o ser humano como um "animal político" (zoon politikon).
A
cidadania em Aristóteles é definida
pela participação ativa nas decisões políticas e pelo direito de administrar a
justiça e exercer funções públicas. Para ele, o cidadão integral é aquele que
possui o poder deliberativo dentro da pólis.
No âmbito
ético, Aristóteles propõe que a felicidade (eudaimonia) é o fim último
do homem. Ela não deve ser confundida com prazeres momentâneos, sendo definida
como uma atividade da alma em conformidade com a virtude e a razão. A virtude
moral, por sua vez, situa-se no justo meio (mesotês), que é o equilíbrio
entre os vícios do excesso e da falta.
FILOSOFIA MEDIEVAL: PATRÍSTICA E
ESCOLÁSTICA
A Patrística, tendo Santo Agostinho como principal expoente, buscou conciliar a fé
cristã com a filosofia grega, especialmente o platonismo. Agostinho defendia a
máxima "Creio para entender" (Credo ut intelligam),
estabelecendo a fé como o ponto de partida e o guia para a investigação
racional.
A
filosofia agostiniana também aborda a política através da distinção entre a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens. Para
ele, a justiça é definida como a "tranquilidade da ordem", e a
verdadeira política deve estar vinculada aos princípios divinos.
A Escolástica representa o apogeu do
ensino universitário medieval, com São Tomás
de Aquino como maior representante. Sua obra buscou harmonizar os
dogmas cristãos com o pensamento de Aristóteles. Aquino defendia que a razão é
uma ferramenta para compreender os dados da fé, embora o conhecimento racional
só seja perfeito com o auxílio da revelação.
Sobre a
liberdade, Tomás de Aquino afirma que o "conhecer precede o querer". Para
o Aquinate, o livre-arbítrio consiste na escolha dos meios para atingir o fim último
ou o Bem Absoluto (Deus), significando que só existe liberdade plena
dentro da finalidade humana objetiva.
O método
de ensino nas universidades medievais baseava-se na Lectio (leitura e comentário de textos de autoridade) e na Disputatio (debate dialético
formal). É importante notar que a Disputatio
foi uma criação universitária medieval e não um método desenvolvido por
Aristóteles para a teologia.
Santo Anselmo é reconhecido pela formulação do argumento ontológico, que tenta provar a
existência de Deus a partir da análise do próprio conceito de um "ser
perfeito" que habita a mente humana.
Guilherme de Ockham, no final da Idade Média, rompe com a tradição
escolástica através do nominalismo. Ele
defendia que os universais (conceitos gerais) não existem na realidade, sendo
apenas nomes ou termos mentais.
Ockham
também ficou famoso pelo princípio da parcimônia,
conhecido como "Navalha de Ockham".
Este princípio estabelece que a explicação mais simples, com o menor número de
hipóteses ou entidades multiplicadas, tende a ser a correta.
FILOSOFIA MODERNA E
CONTRATUALISMO
René Descartes é o marco inicial da modernidade, introduzindo a
dúvida metódica como ferramenta para alcançar certezas inabaláveis. Através do
racionalismo, ele estabelece o Cogito ergo sum (Penso, logo existo) e
propõe a divisão dualista entre a Res Cogitans (pensamento) e a Res Extensa (matéria/corpo).
O contratualismo de Thomas Hobbes defende a necessidade de um Estado forte, o Leviatã. Hobbes
descreve o estado de natureza como uma "guerra
de todos contra todos", onde a vida é breve e brutal, justificando
o pacto social para garantir a segurança.
John Locke, o "Pai do Liberalismo", apresenta uma
visão distinta de contrato social. Ele defende que o ser humano possui direitos
naturais inalienáveis — vida, liberdade e propriedade — e que o governo existe
apenas para proteger esses direitos preexistentes.
Jean-Jacques
Rousseau traz uma perspectiva crítica,
afirmando que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Sua proposta
política foca na "Vontade Geral", que representa o interesse comum do
corpo político acima dos interesses particulares.
PENSAMENTO
CONTEMPORÂNEO E METODOLOGIA
Zygmunt Bauman analisa a transição para a "Modernidade Líquida",
caracterizada pela fluidez, incerteza e pela fragilidade das relações sociais e
institucionais.
Manuel Castells foca na "Sociedade em Rede" e no impacto da digitalização
acelerada. Ele aponta que, embora a internet desintermedie a comunicação, ela
também pode reforçar e amplificar a polarização política.
Milton Santos contribui com uma visão crítica da globalização, classificando-a em três
dimensões: a globalização como fábula (como nos é vendida), como perversidade
(como realmente ocorre) e como possibilidade (outra globalização possível).
Na
metodologia jurídica, Tércio Sampaio Ferraz Jr. distingue entre
Zetética e Dogmática. A Zetética Jurídica possui natureza especulativa
e busca a compreensão do fenômeno jurídico sem o compromisso imediato com a
solução.
Por fim,
a Dogmática
Jurídica trabalha com a vinculação a premissas inquestionáveis, sendo orientada
diretamente para a decisão de conflitos e a aplicação prática das normas dentro
do sistema legal.
GUIA DE APLICAÇÃO DIRETIVA: FILOSOFIA (ARA0099)
01
FILOSOFIA ANTIGA (SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES)
Quando a
questão citar Platão e Críticas ao
Totalitarismo (Nazifascismo): Procure por: A ação NÃO usada
pelos regimes foi a BUSCA POR UM LÍDER FILÓSOFO preocupado com o BEM
ETERNO. Quando a
questão definir Cidadania em
Aristóteles: Procure por: PARTICIPAÇÃO NAS
DECISÕES POLÍTICAS ou direito de administrar a justiça. Quando a
questão falar em Dialética Socrática
ou "Só sei que nada sei": Procure por: DUVIDAVA DE SUAS
PRÓPRIAS CERTEZAS / NADA SABIA ou que o conhecimento DESCONSIDERA
A OPINIÃO (DOXA) sobre o que se ignora. Quando a questão for sobre Sócrates como "exemplo de
político" para Platão: Procure por: Ele se preocupava com as VERDADEIRAS
QUESTÕES DA VIDA (O BOM, O BELO E O VERDADEIRO). Quando a
questão tratar da Felicidade
(Eudaimonia) em Aristóteles: Procure por: ATIVIDADE DA ALMA EM
CONFORMIDADE COM A VIRTUDE. Quando a
questão falar em a Ironia Socrática: Procure por: FINGIR IGNORÂNCIA para levar o interlocutor
a perceber suas próprias contradições. Quando a
questão falar em a Maiêutica: Procure por: Método de "DAR À LUZ" novas ideias
através do diálogo. Quando a
questão falar em a Virtude Moral em
Aristóteles: Procure por: JUSTO MEIO (MESOTÊS)
ou equilíbrio entre o excesso e a deficiência. Quando a questão falar em: Crítica de Platão
à Democracia / "Cidade Ideal". Procure por: Rei Filósofo
(governo dos mais sábios) / Preocupação com o bem, o belo e o verdadeiro. Quando a questão falar em: Definição de
cidadania em Aristóteles. Procure por: Participação nas decisões
políticas e exercício de funções públicas. Quando a questão falar em: Dialética
socrática (ironia e maiêutica). Procure por: Parto das ideias /
Reconhecimento da própria ignorância ("Só sei que nada sei"). Quando a questão falar em: Felicidade (Eudaimonia) em Aristóteles. Procure
por: Prática da virtude e uso da razão (afastando-se de prazeres
momentâneos). Quando a questão falar em: Pilares da
Democracia Ateniense. Procure por: Isonomia (igualdade perante a lei),
Isegoria (direito de fala) e Isocracia (igualdade de acesso ao poder). Quando a questão falar em: Sócrates e o
autoconhecimento ("Conhece-te a ti mesmo"). Procure por:
Templo de Apolo em Delfos. |
02
FILOSOFIA MEDIEVAL (PATRÍSTICA E ESCOLÁSTICA)
Quando
a questão citar a Navalha de Ockham: Procure por: EXPLICAÇÃO MAIS SIMPLES / não multiplicar
entidades sem necessidade. Quando
a questão perguntar sobre Guilherme de
Ockham e os Universais: Procure por: NOMINALISMO
(universais são apenas nomes/termos mentais). Quando
a questão tratar da relação Fé e Razão
em Santo Agostinho (Patrística): Procure por: SÍNTESE/CONCILIAÇÃO
entre a fé cristã e a filosofia de PLATÃO e que a FÉ É O GUIA
para o exercício da razão (Credo ut intelligam). Quando
a questão tratar da relação Fé e Razão
em São Tomás de Aquino (Escolástica): Procure por: HARMONIZAR A FÉ COM
ARISTÓTELES e que a razão só é perfeita com o AUXÍLIO DA FÉ. Quando
a questão falar em o Argumento
Ontológico (Santo Anselmo):Procure por: Prova da existência de
Deus a partir da PRÓPRIA IDEIA DE UM SER PERFEITO Quando a questão falar em: Método
Escolástico. Procure por: Disputatio
(diálogo entre mestre e alunos sobre uma tese). Quando a questão falar em: Relação Fé e Razão
na Idade Média. Procure por: Harmonização (a razão como ferramenta
para compreender os dados da fé). Quando a questão falar em: Santo Agostinho e
a política. Procure por: Cidade de Deus vs. Cidade dos Homens /
Justiça como "tranquilidade da ordem". Quando a questão falar em: São Tomás de Aquino
e a liberdade. Procure por: Escolha de meios para atingir o fim último
(Bem Absoluto/Deus) / O conhecer precede o querer. |
03
FILOSOFIA MODERNA E CONTRATUALISMO
Quando a questão falar em: René Descartes. Procure
por: Dúvida metódica / Racionalismo / Divisão entre Res Cogitans (pensamento) e Res Extensa (corpo/matéria). Quando a questão falar em: Thomas Hobbes. Procure
por: Estado de natureza como "guerra de todos contra todos" /
Necessidade do Leviatã (Estado Forte). Quando a questão falar em: John Locke. Procure
por: Direitos naturais (vida, liberdade e propriedade) / Pai do
Liberalismo. Quando a questão falar em: Jean-Jacques
Rousseau. Procure por: Vontade Geral / O homem nasce bom, mas a
sociedade o corrompe. |
03 MÉTODOS E CONCEITOS GERAIS
Quando a
questão tratar do Método de Ensino
Medieval: Procure por: LECTIO (leitura
comentada pelo mestre) ou DISPUTATIO (debate dialético sobre uma
tese). Se houver uma
asserção de que Aristóteles criou a Disputatio para a teologia: Procure por: ASSERÇÃO II FALSA (o método foi criado pelas
universidades medievais, não por Aristóteles). Quando a questão
falar em a Liberdade em Tomás de
Aquino: Procure por: Só existe liberdade
dentro da FINALIDADE HUMANA OBJETIVA (escolher meios para atingir
Deus). |
04
FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA E SOCIEDADE
Quando a questão falar em: Zygmunt Bauman. Procure
por: Modernidade Líquida / Fluidez e fragilidade das relações sociais. Quando a questão falar em: Manuel Castells. Procure
por: Sociedade em Rede / Digitalização acelerada / Desintermediação do
monopólio da comunicação. Quando a questão falar em: Milton Santos. Procure
por: Globalização como fábula, perversidade e possibilidade. |
05
METODOLOGIA E CIÊNCIA DO DIREITO
Quando a questão falar em: Tércio Sampaio
Ferraz Jr. Procure por: Zetética. Quando a questão falar em: Zetética Jurídica.
Procure por: Natureza especulativa / Compreensão do fenômeno jurídico
(sem compromisso com a solução imediata). Quando a questão falar em: Dogmática
Jurídica. Procure por: Vinculação de premissas inquestionáveis /
Orientação para a decisão de conflitos. |
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ANTIGUIDADE CLÁSSICA
(PLATÃO E ARISTÓTELES) Quando a questão falar em Sócrates como exemplo de
político, procure por: FILÓSOFO QUE SE PREOCUPA COM O BEM, O BELO E O
VERDADEIRO. Quando a questão falar
na crítica de Aristóteles a Platão, procure por: ESSÊNCIA ESTÁ NAS COISAS
(IMANÊNCIA) E NÃO EM UM MUNDO SEPARADO (TRANSCENDÊNCIA). Quando a questão falar em Alegoria da Caverna,
procure por: PASSAGEM DO MUNDO SENSÍVEL (SOMBRAS) PARA O MUNDO INTELIGÍVEL
(LUZ/IDEIAS). Quando a questão falar nos Pilares da
Democracia Ateniense (Os "Isos"), procure por: ISONOMIA (IGUALDADE
PERANTE A LEI), ISEGORIA (DIREITO À FALA) E ISOCRACIA (ACESSO AO PODER). |
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FILOSOFIA MEDIEVAL (PATRÍSTICA E ESCOLÁSTICA) Quando a questão falar em Santo Agostinho
(Patrística), procure por: JUSTIÇA COMO TRANQUILIDADE DA ORDEM e CIDADE DE
DEUS VS. CIDADE DOS HOMENS. Quando a questão falar
em Tomás de Aquino (Escolástica), procure por: INTEGRAÇÃO DA RAZÃO À FÉ e O
CONHECER PRECEDE O QUERER. Quando a questão falar em Liberdade para Tomás de
Aquino, procure por: SÓ EXISTE LIBERDADE DENTRO DA FINALIDADE HUMANA
OBJETIVA. Quando a questão falar na classificação das
Leis em Aquino, procure por: LEI ETERNA, NATURAL E HUMANA. |
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MODERNIDADE E
CONTRATUALISMO Quando a questão falar em René Descartes, procure
por: DÚVIDA METÓDICA, COGITO ERGO SUM e RUPTURA COM A TRADIÇÃO. Quando a questão falar
em Thomas Hobbes, procure por: ESTADO FORTE (LEVIATÃ) e GUERRA DE TODOS
CONTRA TODOS. Quando a questão falar em John Locke, procure por:
PAI DO LIBERALISMO e DIREITOS INALIENÁVEIS (VIDA, LIBERDADE E PROPRIEDADE). Quando a questão falar em Jean-Jacques
Rousseau, procure por: VONTADE GERAL. |
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PENSAMENTO
CONTEMPORÂNEO Quando a questão falar em Zygmunt Bauman, procure
por: MODERNIDADE LÍQUIDA e INSTABILIDADE DAS RELAÇÕES. Quando a questão falar
em Manuel Castells, procure por: SOCIEDADE EM REDE e DIGITALIZAÇÃO ACELERADA. Quando a questão falar na crítica de Castells à Internet,
procure por: REFORÇA E AMPLIFICA A POLARIZAÇÃO POLÍTICA. |
SÍNTESE ESTRUTURADA PARA AUXILIAR NA SUA PREPARAÇÃO PARA O SIMULADO DE
FILOSOFIA:
1. FILOSOFIA
ANTIGA: SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES
Sócrates
e o Conhecimento: O ponto de partida do pensamento socrático é a Ironia,
que busca o reconhecimento da própria ignorância. A frase "só sei que nada
sei" é o fundamento para a busca da verdade, pois apenas quem admite não
saber pode estar aberto ao novo conhecimento.
Platão e
a Política (O Rei Filósofo): Para Platão, a justiça na pólis só é alcançada
quando a sabedoria está acima da lei estreita. Ele propõe a sofocracia, onde o
governante deve ser o "Líder Filósofo", pois somente aquele que
contemplou o Mundo das Ideias possui o conhecimento do Bem para governar.
Platão
vs. Totalitarismo: Embora críticos como Karl Popper associem a República de
Platão ao autoritarismo devido ao controle social, há uma distinção
fundamental: a busca pelo líder filósofo não foi usada pelo Nazifascismo.
Enquanto Platão buscava a razão e a virtude, os regimes totalitários modernos
baseavam-se em ideologias irracionalistas, propaganda e culto à personalidade
do ditador, não na sabedoria filosófica.
Aristóteles
e a Ética: A felicidade (Eudaimonia) não é um prazer passageiro, mas uma
atividade da alma de acordo com a virtude. Para ele, a virtude é o "justo
meio" (equilíbrio) alcançado pelo hábito e pela razão.
2. FILOSOFIA
MEDIEVAL: SÃO TOMÁS DE AQUINO
Lei
Natural: Aquino integra a fé cristã com a razão aristotélica. Ele define a
Lei Natural como a participação da criatura racional na Lei Eterna (o plano de
Deus). Através da razão, o ser humano é capaz de distinguir o que é bom e o que
é mau, orientando seu livre-arbítrio para o fim último.
3. CONTRATUALISMO: THOMAS HOBBES
O Leviatã:
Hobbes defende que, no estado de natureza, o homem vive em uma "guerra de
todos contra todos" (o homem é o lobo do homem). Para garantir a
sobrevivência e a paz, os indivíduos firmam um pacto social, cedendo seu poder
a um soberano absoluto — o Estado ou Leviatã — que detém o monopólio da força.
4.
PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO: BAUMAN E CASTELLS
Modernidade Líquida (Zygmunt Bauman): Vivemos
em uma era onde as instituições, os valores e as relações sociais são frágeis e
instáveis. Nada é feito para durar; a fluidez (liquidez) substitui a solidez
das eras anteriores, gerando incerteza e descartabilidade nos vínculos humanos.
Sociedade em Rede (Manuel Castells): A estrutura social atual
é moldada pela tecnologia e digitalização. A informação circula de forma global
e instantânea através de redes, alterando a dinâmica do poder, do trabalho e da
cultura. A Internet desintermedia comunicações, mas também pode amplificar
polarizações.
Dicas Adicionais para o Simulado:
Fique atento
às questões que comparam o Mundo Sensível (sombras/aparências) com o Mundo
Inteligível (luz/ideias) em Platão.
Lembre-se
que para Aristóteles a essência das coisas está nelas mesmas (imanência), ao
contrário da transcendência platônica.
Aqui está o seu Guia de Aplicação
Diretiva, estruturado com base nos padrões de resposta e gatilhos
conceituais identificados nos documentos:
Resumo de
Termos-Chave para o Guia
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Conceito |
Termo a procurar na Resposta |
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Dialética Socrática |
Duvidava das certezas / Nada sabia |
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Felicidade (Aristóteles) |
Atividade da alma / Conformidade com a virtude |
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Navalha de Ockham |
Explicação mais simples / Não multiplicar
entidades |
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Universais (Ockham) |
Nominalismo / Apenas nomes |
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Justiça (Agostinho/Aquino) |
Tratar igualmente os iguais e desigualmente os
desiguais |
GUIA DE APLICAÇÃO
DIRETIVA (QUESTÃO ==> RESPOSTA)
Disciplina: Filosofia (ARA0099)
01 INTRODUÇÃO À ATITUDE
FILOSÓFICA
Dúvida e Crítica: A filosofia nasce do
"espanto" ou admiração diante do mundo. Ao contrário de outras
ciências, ela é essencialmente crítica, metódica e organizada. Etimologia:
O termo deriva do grego philia (amizade/atração) e sophia
(sabedoria), definindo o filósofo como um "amigo do saber". |
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01.1 Filosofia Antiga (Sócrates, Platão e
Aristóteles) Dialética Socrática: Quando a questão mencionar o questionamento de concepções
herdadas ou a fórmula "Só sei que nada sei", a resposta é: Sócrates
duvidava de suas próprias certezas, entendendo que nada sabia. Máxima de Sócrates: O caminho do conhecimento para
Sócrates desconsidera a opinião (doxa) sobre assunto que se ignora. A Origem da Sabedoria: O primeiro contato de Sócrates
com seu princípio de sabedoria ocorreu no pórtico do Templo de Apolo, em
Delfos. Método Socrático (Maiêutica): O processo de "dar à
luz" ideias através do diálogo chama-se Maiêutica. Sócrates como Político: Segundo Platão, ele era um
exemplo de político por ser um filósofo que se preocupava com as
verdadeiras questões da vida (o bom, o belo e o verdadeiro). Platão e o Político: Em sua obra Político,
Platão introduz a ideia de que o político pode se afastar das leis se
possuir sabedoria suficiente. Cidade Ideal vs. Nazifascismo: A ação platônica que NÃO
foi usada pelos governos nazifascistas foi a busca por um líder filósofo
preocupado com o bem eterno. Aristóteles e a Felicidade: Procure por: Atividade da
alma em conformidade com a virtude. Aristóteles e a Política: A cidadania é definida pela participação
nas decisões políticas (administrar justiça e exercer funções públicas). |
01.2 FILOSOFIA ANTIGA:
DEMOCRACIA E A TRÍADE GREGA
Democracia Ateniense: Um sistema de democracia
direta, embora restrito a homens livres e atenienses. Isonomia: Igualdade perante a lei. Isegoria: Direito igual de fala na assembleia (Eclésia). Isocracia: Igualdade de acesso ao
poder. Sócrates: Focava no autoconhecimento ("Conhece-te a ti
mesmo") e na dialética para superar o senso comum (doxa). Platão: Propôs a "Cidade Ideal" governada por
filósofos (Rei Filósofo), pois estes se preocupariam com a verdade, o belo e
o bem. Aristóteles: Definiu o cidadão pela
participação direta nas decisões políticas e no exercício de funções públicas. |
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02.1 Filosofia Medieval (Patrística e
Escolástica) Diferença entre Períodos: A Patrística focou na
defesa da fé (apologética), enquanto a Escolástica focou na
sistematização do ensino universitário. Santo Agostinho (Patrística): Sua filosofia buscou uma síntese/conciliação
entre a fé cristã e a filosofia de Platão (Neoplatonismo). São Tomás de Aquino
(Escolástica): Seu
maior objetivo foi harmonizar os dogmas cristãos com o pensamento de
Aristóteles. Fé e Razão (Aquino): São conciliáveis, mas o
conhecimento pela razão só é perfeito com o auxílio da verdadeira fé. Liberdade em Aquino: Para ele, só existe
liberdade dentro da finalidade humana objetiva (escolher meios para
atingir o Bem Absoluto). Método de Ensino Medieval: Lectio: Momento em que o mestre lia e
comentava um texto de autoridade. Disputatio: Diálogo/debate entre mestre e
alunos sobre uma tese. Nota: Não foi criada por Aristóteles para fins
teológicos. Relação Fé/Razão (Geral): A frase "Credo ut
intelligam" significa que a fé é o ponto de partida e o guia para
a investigação racional. |
02.2.0 FILOSOFIA MEDIEVAL:
FÉ E RAZÃO
Patrística (Santo Agostinho): Fortemente influenciado
por Platão, discute a justiça como a "tranquilidade da ordem" e a
distinção entre a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens. Escolástica (São Tomás de Aquino): Influenciado por
Aristóteles, integrou a razão à fé cristã. Classificou as leis em:
eterna, natural e humana. Modernidade e o Contrato Social
René Descartes: Estabeleceu a
"dúvida metódica" como ferramenta para alcançar a verdade racional,
separando o pensamento (Res Cogitans) da matéria (Res Extensa). |
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02.2.2. CONTRATUALISTAS: Thomas Hobbes: Defesa de um Estado
forte (Leviatã) para garantir a segurança e evitar a guerra de todos
contra todos. John Locke: Foco na preservação dos
direitos naturais: vida, liberdade e propriedade. Jean-Jacques Rousseau: O contrato social deve
ser baseado na "Vontade Geral". |
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02.2.3 Escolástica Tardia e Transição Moderna Guilherme de Ockham
(Nominalismo):
Defendia que os universais não existem na realidade, sendo apenas termos
mentais ou nomes. Navalha de Ockham: Princípio que defende que a explicação
mais simples, com menos hipóteses, tende a ser a correta. Francisco Suárez: Antecipa a modernidade ao ver a
essência da lei na vontade impositiva do legislador, e não apenas na
razão. |
3 PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO
Marx e Engels: Aplicação da dialética à
economia e à análise da luta de classes. Zygmunt Bauman: Conceito de Modernidade
Líquida, caracterizada pela fluidez, instabilidade e fragilidade das
relações sociais modernas. Manuel Castells: Teoria da Sociedade
em Rede, onde a tecnologia da informação molda novas estruturas sociais
globais e desafia o monopólio estatal da comunicação. |
Guilherme de Ockham (ou Occam) foi um frade franciscano, teólogo e filósofo escolástico
inglês do século XIV, considerado uma das figuras mais influentes e
controversas da Idade Média tardia. Ele é frequentemente visto como o precursor
do pensamento moderno por romper com a síntese entre fé e razão que dominava a
época.
Aqui estão os pilares centrais do seu pensamento:
O NOMINALISMO
Ockham é o maior expoente do nominalismo. Ele
desafiou a ideia de que conceitos universais (como "Humanidade",
"Justiça" ou "Cão") existem na realidade. Para ele, apenas
indivíduos particulares existem; os "universais" seriam apenas nomes
ou etiquetas mentais que usamos para agrupar semelhanças, sem uma existência
metafísica fora da mente humana.
A NAVALHA DE OCKHAM
Este é o seu princípio mais famoso, também conhecido
como Princípio da Parcimônia. Ele estabelece que:
"As entidades não
devem ser multiplicadas além do necessário."
Em termos práticos, se existem duas explicações para
um fenômeno, a mais simples — que exige menos suposições — tende a ser a correta.
Esse princípio foi fundamental para o desenvolvimento do método científico,
pois eliminava explicações metafísicas desnecessárias para fenômenos físicos.
SEPARAÇÃO ENTRE FÉ E RAZÃO
Diferente de Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino,
Ockham defendia que a existência de Deus e outros dogmas religiosos não
poderiam ser provados pela lógica ou pela razão. A fé pertence ao campo da
revelação, e a razão ao campo da observação do mundo empírico. Essa separação
ajudou a abrir caminho para a autonomia da ciência e da filosofia.
POLÍTICA E CONFLITO COM O PAPA
Como franciscano, Ockham defendia a pobreza
absoluta da Igreja. Isso o colocou em rota de colisão direta com o Papa
João XXII. Ele fugiu para a corte de Luís IV da Baviera, onde escreveu tratados
políticos defendendo a separação entre o poder espiritual (Igreja) e o poder
temporal (Estado), influenciando as bases da liberdade individual e da
soberania política.
Curiosidade:
Ockham é frequentemente citado como uma das inspirações para o personagem
William de Baskerville no famoso romance O
Nome da Rosa, de Umberto Eco, devido ao seu raciocínio lógico e crítico.






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