Operar a multiplicação com vários algoritmos
Um
dos algoritmos mais complexos das operações aritméticas elementares é o
da operação multiplicação. De facto, uma vez que o nosso sistema de
numeração é um sistema de valor posicional, quando a operação implica
transporte, isto é, o famoso "e vai um" ou "e vão dois", etc., torna-se
difícil, numa primeira abordagem ao algoritmo, perceber o que se está a
fazer. De facto, qual o significado da expressão "e vai um"?. Para se
perceber o que essa expressão significa tem que se dominar muito bem o
conceito de base e o conceito de ordem ou valor posicional dos elementos
envolvidos na multiplicação.
Em bom rigor veja-se como deverá ser o esquema figurativo inicial para se perceber, por exemplo, a seguinte multiplicação:
| UM | C | D | U | |
| 3 | 5 | 7 | ||
| x | 2 | 5 | ||
| 3 | 5 | |||
| 2 | 5 | |||
| 1 | 5 | |||
| 1 | 4 | |||
| 1 | 0 | |||
| + | 6 | |||
| 5 | ||||
| 1 | 2 | |||
| 8 | 8 | |||
| 8 | 9 | 2 | 5 |
Repare-se
que o algoritmo anterior depois simplifica-se com a seguinte conversa:
"5 vezes 7 são 35. Fica 5 e vão 3.
Cinco vezes cinco são 25, mais três
que iam são 28. Fica o 8 e vão 2... e assim sucessivamente.
Logo,
trata-se de algo complexo, que carece de tempo para que se interiorizem
estes procedimentos. Contudo vejam-se outros algoritmos, como seja o
algoritmo egípcio, ou o russo ou ou indu-árabe, também designado por
gelosia.
No
caso do algoritmo egípcio, parte-se da regra de que um número inteiro
ou é uma potência de base dois ou pode ser obtido através da adição de
várias potências de base dois. Apesar de os antigos egípcios não
conhecerem o conceito de potência usavam a ideia de que multiplicar por
dois era dobrar o outro número, multiplicar por quatro era dobrar o
dobro de dois esse número; multiplicar por oito era dobrar o dobro do
dobro de dois esse número e assim sucessivamente.
Logo,
por baixo do fator da direita iam usando o que mais tarde se veio a
verificar como sendo as potências de base dois. Paravam o algoritmo
quando conseguiam obter esse fator a partir de alguns dos valores que
colocavam na respectiva coluna. Na coluna afeta ao outro fator iam
colocando dobros sucessivos deste fator. Vejamos:
Como
se sabe que 16 + 8 + 1 = 25, na outra coluna selecionam-se os
números correspondentes a estas três potências de base 2: o 5712, o 2856
2 o 357, respectivamente. Repare-se que:
5712 + 2856 + 357 = 8925
Em
síntese, este algoritmo é bem mais simples do que o que usamos, pois
usa só o conceito de dobro do número, as potências de base dois e
implica apenas o saber fazer adições.
Já
o algoritmo russo também é bastante simples, pois basta apenas
encontrar metades sucessivas do 1º fator e dobros sucessivos do 2º
fator. Nos casos de se obterem metades de números ímpares despreza-se
sempre a parte decimal. Por último identificam-se os números ímpares que
estão sob o 1º fator e selecionam-se, como parcelas a adicionar, os
respectivos números que lhe correspondem na coluna do outro factor.
Vejamos:
Note-se
que na coluna da esquerda existem alguns números ímpares: 357, 89, 11, 5
e 1. Por sua vez, os números que, respectivamente, lhes correspondem na
coluna da direita são os seguintes: 25, 100, 800, 1600 e 6400.
Ora, adicionando-se estes números da coluna da direita obtém-se o valor pretendido, pois: 25 + 100 + 800 + 1600 + 6400 = 8925.
Já o método Indu-árabe ou de gelosia é muito parecido com o nosso algoritmo, pois esteve na sua base. Vejamos:
Repare-se que a resposta é 8925.
Interprete este último algoritmo, o de gelosia, e comprove que é fácil obter o valor 412650 como sendo o produto de 9825 por 42.






0 Comentários