A
TRAJETÓRIA HISTÓRICA E INSTITUCIONAL DA PMERJ
A
Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) possui uma trajetória
marcada por tensões entre o modelo militarizado herdado do período imperial e
as tentativas de adaptação às demandas democráticas contemporâneas. Desde a
criação da Guarda Real de Polícia em 1809, a instituição foi concebida como
braço de controle social, voltado à manutenção da ordem pública e à defesa do Estado,
mais do que à proteção cidadã (BRETAS, 1998). Essa herança autoritária
consolidou uma cultura institucional que, ao longo do século XIX e XX, oscilou
entre práticas repressivas e iniciativas de aproximação comunitária, refletindo
os dilemas da segurança pública brasileira.
Durante
o Império e a Primeira República, a PMERJ foi utilizada como instrumento de
repressão política e social, especialmente contra movimentos populares e
insurreições urbanas. A centralização administrativa e o caráter militarizado
da corporação reforçaram sua identidade como força de contenção, em detrimento
de uma polícia voltada para o serviço público (CASTRO, 1977). Essa configuração
institucional se perpetuou, com poucas mudanças estruturais, até meados do
século XX, quando o crescimento urbano e a explosão da violência demandaram
novas estratégias de policiamento.
A
ditadura militar (1964-1985) intensificou a militarização da PMERJ, reforçando
seu papel de polícia ostensiva e subordinando-a ao aparato repressivo nacional.
Nesse período, a corporação foi marcada por práticas de controle rígido e pela
ausência de mecanismos de accountability, o que ampliou a distância entre
polícia e sociedade (COSTA, 2004). A dualidade entre polícia ostensiva e
polícia investigativa, fixada em 1969, tornou-se foco crônico de ineficiência,
como apontado por Sapori (2007), dificultando a integração das ações e a
eficácia no combate ao crime.
Com
a redemocratização, emergiram iniciativas de reforma institucional, como a
introdução da filosofia da polícia comunitária e programas de
proximidade. Contudo, a PMERJ enfrentou resistências internas, ligadas ao
corporativismo e à manutenção de práticas tradicionais de policiamento reativo
(MESQUITA NETO, 2004). A tentativa de implementação de modelos como o
“policiamento comunitário” e o “ciclo completo de polícia” esbarrou em
limitações estruturais e culturais, revelando a dificuldade de romper com o
legado histórico.
Atualmente,
a PMERJ é desafiada a conciliar sua identidade militar com as exigências de uma
sociedade democrática. A busca por uma polícia cidadã, voltada
para a coprodução da segurança e para o respeito aos direitos humanos,
representa um esforço de superação da carga histórica autoritária. Como observa
Arantes (2026), a transição para um modelo focado no consentimento da
comunidade, inspirado em experiências europeias e no sistema Koban japonês, é
um contraponto necessário à herança militarizada, mas ainda encontra barreiras
institucionais e políticas.
APRESENTAÇÃO
E PREFÁCIO
A
presente obra busca analisar a trajetória histórica e institucional da Polícia
Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), compreendendo-a como um espelho
das tensões sociais e políticas que atravessaram o Brasil desde o período
imperial. A PMERJ não é apenas uma corporação policial; é uma instituição que
carrega em sua estrutura os traços da formação do Estado brasileiro, suas
contradições e seus dilemas democráticos (BRETAS, 1998).
A
apresentação deste estudo parte da constatação de que a PMERJ foi concebida como
força de contenção social, voltada à manutenção da ordem e ao controle das
populações urbanas. Desde a criação da Guarda Real de Polícia, em 1809, sua
função primordial foi garantir a estabilidade política e proteger os interesses
das elites, mais do que assegurar os direitos da cidadania (BARRETO FILHO;
LIMA, 1939).
No
prefácio, destacamos que compreender a trajetória da PMERJ exige reconhecer o
peso da militarização em sua identidade institucional. A dualidade entre
polícia ostensiva e investigativa, fixada pela ditadura militar em 1969,
cristalizou um modelo fragmentado e ineficiente, que ainda hoje compromete a
eficácia da segurança pública (SAPORI, 2007).
Ao
longo do século XIX, a PMERJ foi utilizada como instrumento de repressão contra
revoltas populares e movimentos sociais. Essa função consolidou uma cultura de
distanciamento em relação à sociedade, reforçando a ideia de que a polícia era
uma força de imposição estatal, e não um serviço público (CASTRO, 1977).
Na
Primeira República, a corporação manteve sua função de controle social, atuando
em defesa da ordem estabelecida e reprimindo manifestações políticas. Essa
trajetória reforçou a percepção da polícia como braço armado do Estado, em
detrimento de sua função cidadã (COSTA, 2004).
Durante
a ditadura militar, a PMERJ foi incorporada ao aparato repressivo nacional,
intensificando práticas autoritárias e ampliando a distância entre polícia e
sociedade. A ausência de mecanismos de controle e a centralização
administrativa reforçaram sua identidade militarizada (MESQUITA NETO, 2004).
Com
a redemocratização, surgiram iniciativas de reforma institucional, como a
introdução da filosofia da polícia comunitária. Contudo, essas iniciativas
enfrentaram resistências internas e limitações estruturais, revelando a
dificuldade de romper com o legado histórico (FERREIRA, 1995).
A
apresentação desta obra enfatiza que compreender a PMERJ é compreender o
Brasil. Sua trajetória reflete as tensões entre autoritarismo e democracia,
repressão e cidadania, militarização e proximidade comunitária (ARANTES, 2026).
O
prefácio ressalta que a busca por uma polícia cidadã é um desafio
contemporâneo. A PMERJ precisa superar sua herança autoritária e militarizada
para se tornar uma instituição voltada para a coprodução da segurança e para o
respeito aos direitos humanos (BALESTRERI, 2003).
A
análise histórica demonstra que a PMERJ sempre esteve no centro das disputas
políticas e sociais. Sua função oscilou entre a repressão e a tentativa de
aproximação comunitária, refletindo os dilemas da segurança pública brasileira
(BITTNER, 2003).
O
estudo também destaca a importância das influências internacionais, como o
modelo britânico de Robert Peel e o sistema Koban japonês, que oferecem
alternativas ao modelo militarizado brasileiro (ARANTES, 2026).
A
apresentação e o prefácio reforçam que a PMERJ não pode ser compreendida apenas
como uma corporação policial. Ela é uma instituição que sintetiza os dilemas da
formação do Estado brasileiro e da construção da democracia (COMPARATO, 2015).
A
obra busca contribuir para o debate sobre segurança pública, oferecendo uma
análise crítica da trajetória da PMERJ e apontando caminhos para sua
transformação em uma polícia cidadã (BENGOCHEA, 2004).
O
prefácio conclui que a superação da herança autoritária exige vontade política,
investimentos em formação e a adoção de modelos de policiamento voltados para a
cidadania. A PMERJ precisa se reinventar para responder às demandas de uma
sociedade democrática (ARANTES, 2026).
Assim,
esta obra se apresenta como um convite à reflexão sobre o papel da PMERJ na
história e no futuro do Brasil. Mais do que uma análise institucional, é uma
proposta de transformação social, voltada para a construção de uma segurança
pública democrática e cidadã.
O policiamento comunitário no Brasil surgiu como
resposta às limitações do modelo tradicional, marcado pela reatividade e pelo
distanciamento da população. Desde os anos 1980, experiências pioneiras em
estados como Rio de Janeiro e São Paulo buscaram aproximar a polícia das
comunidades, inspiradas em modelos internacionais, mas adaptadas às
especificidades locais (MUNIZ; ZACCHI, 2005). A PMERJ, nesse contexto,
enfrentou o desafio de conciliar sua identidade militarizada com práticas de
proximidade, muitas vezes restritas a projetos isolados e sem continuidade.
A filosofia comunitária, consolidada em documentos
oficiais como a Matriz Curricular Nacional de Segurança Pública (2003,
reformulada em 2008), enfatizou direitos humanos e participação social como
pilares da formação policial (MESQUITA NETO, 1999). No entanto, a PMERJ
encontrou resistências internas, ligadas ao corporativismo e à cultura de
pronta resposta, o que limitou a efetividade das iniciativas. A experiência
mostra que a transição para uma polícia cidadã exige não apenas treinamento,
mas também mudanças estruturais e simbólicas.
A influência internacional sobre a PMERJ é
evidente. O modelo britânico de Robert Peel, com foco na legitimidade e
consentimento da comunidade, e o sistema japonês Koban, baseado em bases locais
de proximidade, foram referências para programas brasileiros de cooperação
técnica, como o acordo Brasil-Japão de 2008 (TAVARES DOS SANTOS et al., 2011).
Essas experiências trouxeram a ideia de descentralização e coprodução da
segurança, mas sua aplicação no Rio de Janeiro foi parcial e fragmentada.
Nos Estados Unidos, o conceito de Community
Oriented Policing Services (COPS) inspirou práticas de consulta e
mobilização comunitária, que também influenciaram debates no Brasil. Contudo, a
PMERJ operou em um contexto de violência urbana extrema e presença do crime
organizado, o que dificultou a implementação plena desses modelos (BAYLEY,
1998). A adaptação brasileira precisou lidar com a realidade das favelas e das
desigualdades sociais, tornando o policiamento comunitário uma prática de alto
risco e baixa institucionalização.
Assim, a trajetória da PMERJ revela um paradoxo: ao
mesmo tempo em que buscou incorporar modelos internacionais de proximidade,
manteve-se presa a uma estrutura militarizada e autoritária. A superação desse
dilema depende de reformas profundas, que integrem direitos humanos,
accountability e participação comunitária como elementos centrais da segurança
pública. Como observa Arantes (2026), a transição para uma polícia cidadã é não
apenas uma necessidade institucional, mas um imperativo democrático.
REFLEXÃO SOBRE A SEGURANÇA PÚBLICA COMO DEVER DO ESTADO E RESPONSABILIDADE
DE TODOS (ART. 144 DA CF/88)
O
artigo 144 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a segurança pública é
dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. Esse dispositivo inaugura
um paradigma democrático que busca superar a tradição autoritária das polícias
militares, incluindo a PMERJ, cuja origem remonta à Guarda Real de Polícia
criada em 1809 (BRETAS, 1998). A partir desse marco, a segurança pública passa
a ser compreendida como uma função compartilhada entre Estado e sociedade.
Historicamente,
a PMERJ foi concebida como força de contenção social, voltada à manutenção da
ordem e à defesa do poder central. Essa configuração institucional reforçou uma
cultura de militarização e distanciamento da população, em contraste com o
princípio constitucional de responsabilidade coletiva (CASTRO, 1977). O desafio
contemporâneo é alinhar a prática policial ao espírito democrático da
Constituição.
A
noção de responsabilidade compartilhada implica reconhecer que a segurança não
pode ser monopólio da polícia. A PMERJ deve atuar em parceria com comunidades,
associações civis e demais órgãos públicos, promovendo a coprodução da ordem e
da tranquilidade social. Essa perspectiva aproxima-se da filosofia da polícia
comunitária, que busca integrar polícia e sociedade na resolução de
problemas locais (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994).
Contudo,
a prática cotidiana da PMERJ ainda enfrenta resistências internas e externas. O
corporativismo policial, a cultura de pronta resposta e a desconfiança da
população dificultam a implementação plena do paradigma constitucional
(MESQUITA NETO, 2004). A distância entre o texto da lei e a realidade
institucional revela a necessidade de reformas profundas.
A
trajetória da PMERJ mostra que a segurança pública, como dever do Estado e
responsabilidade de todos, exige uma polícia que não apenas reprima, mas que
construa, junto à sociedade, um ambiente de paz e justiça. Como observa Arantes
(2026), a transição para uma polícia cidadã é não apenas uma necessidade
institucional, mas um imperativo democrático.
A
Constituição de 1988 também reforça a ideia de que a segurança pública deve ser
exercida para a preservação da ordem e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio. Isso implica que a PMERJ deve se orientar por princípios de legalidade,
ética e respeito aos direitos humanos (BALESTRERI, 2003).
A
PMERJ, ao longo de sua história, oscilou entre práticas repressivas e
iniciativas de aproximação comunitária. Essa ambivalência reflete os dilemas da
segurança pública brasileira, que oscila entre autoritarismo e democracia,
repressão e cidadania (BITTNER, 2003).
O
artigo 144 da CF/88 legitima a participação da sociedade na construção da
segurança pública. Isso significa que conselhos comunitários, associações de
moradores e organizações civis devem ser integrados às políticas de segurança,
em parceria com a PMERJ (FERREIRA, 1995).
A
trajetória institucional da PMERJ revela que a corporação precisa superar sua
herança autoritária e militarizada para se tornar uma instituição cidadã. Essa
transformação exige investimentos em formação, accountability e participação
comunitária (MESQUITA NETO, 1999).
A
segurança pública, como dever do Estado e responsabilidade de todos, exige uma
polícia que respeite os direitos humanos e promova a coprodução da ordem. A
PMERJ, nesse sentido, deve se reinventar para responder às demandas de uma
sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
A
Constituição de 1988 também reforça a ideia de que a segurança pública é
responsabilidade de todos os cidadãos. Isso implica que a PMERJ deve atuar em
parceria com a sociedade, promovendo a construção coletiva da ordem e da
tranquilidade social (ARANTES, 2026).
A
trajetória da PMERJ mostra que a corporação precisa superar sua herança
autoritária e militarizada para se tornar uma instituição cidadã. Essa
transformação exige reformas profundas e investimentos em formação (COSTA,
2004).
A
segurança pública, como dever do Estado e responsabilidade de todos, exige uma
polícia que não apenas reprima, mas que construa, junto à sociedade, um
ambiente de paz e justiça (BRETAS, 1998).
A
PMERJ, ao longo de sua história, oscilou entre práticas repressivas e
iniciativas de aproximação comunitária. Essa ambivalência reflete os dilemas da
segurança pública brasileira (CASTRO, 1977).
Refletir
sobre a trajetória da PMERJ à luz do artigo 144 da CF/88 é reconhecer que a
corporação precisa se reinventar para se tornar uma instituição cidadã, capaz
de responder às demandas de uma sociedade democrática (ARANTES, 2026).
A RELEVÂNCIA DA PMERJ NO CENÁRIO NACIONAL
COMO INSTITUIÇÃO PIONEIRA E LABORATÓRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
A
Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) ocupa um lugar singular no
cenário nacional, sendo considerada uma instituição pioneira e, em muitos
momentos, um laboratório de políticas públicas de segurança. Desde sua origem
na Guarda Real de Polícia, em 1809, a corporação foi referência para outras
forças policiais do Brasil (BARRETO FILHO; LIMA, 1939).
No
século XIX, a PMERJ foi protagonista na repressão de movimentos sociais e insurreições
urbanas, consolidando-se como força de contenção política. Essa função reforçou
sua identidade militarizada e a percepção de que a polícia era instrumento do
Estado (CASTRO, 1977).
Durante
a ditadura militar, a PMERJ foi incorporada ao aparato repressivo nacional,
intensificando práticas autoritárias e ampliando sua relevância como
laboratório de políticas de controle social (SAPORI, 2007).
Com
a redemocratização, a PMERJ foi palco de experiências pioneiras em policiamento
comunitário e programas de proximidade. Projetos como o “policiamento
interativo” em Copacabana tornaram-se referência nacional (MUNIZ; ZACCHI,
2005).
A
relevância da PMERJ também se manifesta na cooperação internacional. O acordo
Brasil-Japão de 2008, que introduziu o sistema Koban no país, teve como uma de
suas principais bases a Polícia Militar do Rio de Janeiro (TAVARES DOS SANTOS
et al., 2011).
Contudo,
a PMERJ enfrenta desafios específicos, ligados à complexidade da violência
urbana no Rio de Janeiro. A presença do crime organizado e a desigualdade
social tornam o estado um ambiente de alta complexidade (COSTA, 2004).
A
trajetória institucional da PMERJ mostra que sua relevância nacional não
decorre apenas de sua história, mas também de sua capacidade de experimentar e
adaptar modelos de policiamento (FERREIRA, 1995).
Essa
relevância, contudo, é ambivalente. Ao mesmo tempo em que a PMERJ é vista como
laboratório de inovação, também é criticada por práticas autoritárias e
violações de direitos humanos (BALESTRERI, 2003).
A
análise histórica demonstra que a PMERJ sempre esteve no centro das disputas
políticas e sociais do país. Sua função oscilou entre a repressão e a tentativa
de aproximação comunitária (BITTNER, 2003).
A
relevância da PMERJ também se manifesta na formação policial. A corporação foi
pioneira na introdução de disciplinas de direitos humanos e policiamento
comunitário em seus cursos de formação (MESQUITA NETO, 1999).
Ao
longo de sua trajetória, a PMERJ consolidou-se como instituição estratégica
para a segurança pública brasileira. Sua relevância decorre tanto de sua
história quanto de sua capacidade de experimentar modelos de policiamento
(ARANTES, 2026).
Essa
posição exige responsabilidade. A PMERJ precisa superar sua herança autoritária
e militarizada para se tornar uma instituição cidadã, capaz de responder às
demandas de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
Refletir
sobre a trajetória da PMERJ é reconhecer sua importância como instituição
pioneira e laboratório de políticas públicas. Mais do que uma corporação
estadual, a PMERJ é referência nacional (BRETAS, 1998).
Como
observa Comparato (2015), a construção da democracia exige instituições capazes
de conciliar ordem e cidadania, repressão e direitos. A PMERJ é protagonista
desse processo.
Portanto,
a relevância da PMERJ no cenário nacional decorre de sua história, de sua
capacidade de inovação e de sua posição estratégica na segurança pública
brasileira. A corporação é, ao mesmo tempo, laboratório de políticas públicas e
espelho das contradições nacionais, exigindo constante reflexão e reforma
(ARANTES, 2026).
CAPÍTULO
1: GÊNESE E EVOLUÇÃO HISTÓRICA (1809 – 1975)
A gênese da Polícia Militar do Estado do Rio de
Janeiro (PMERJ) remonta à criação da Guarda Real de Polícia em 1809, instituída
por D. João VI após a chegada da Família Real ao Brasil. Inspirada na Gendarmerie
francesa, a Guarda foi concebida como força de contenção social e
instrumento de manutenção da ordem pública, refletindo o modelo europeu de
polícia militarizada (BRETAS, 1998).
A criação da Guarda Real de Polícia representou uma
resposta imediata às necessidades de controle urbano da Corte, que se expandia
rapidamente com a chegada da Família Real e da elite portuguesa. A instituição
foi estruturada para garantir estabilidade política e proteger os interesses
das elites coloniais (BARRETO FILHO; LIMA, 1939).
Durante o período imperial, a Guarda Real consolidou-se
como braço armado do Estado, atuando na repressão de revoltas populares e
insurreições urbanas. Essa função reforçou sua identidade militarizada e a
percepção de que a polícia era instrumento de imposição estatal, em detrimento
de um serviço público voltado à cidadania (CASTRO, 1977).
A transição da Guarda Real para a Polícia da Corte
manteve a lógica militarizada, reforçando a centralização administrativa e a
verticalidade hierárquica. Essa configuração institucional perpetuou-se ao
longo do século XIX, consolidando a disciplina e a hierarquia como pilares da
identidade policial (COSTA, 2004).
A Primeira República não alterou substancialmente
essa estrutura. A polícia continuou a ser utilizada como instrumento de
repressão política e social, atuando em defesa da ordem estabelecida e
reprimindo manifestações populares (MESQUITA NETO, 2004).
A dualidade entre polícia ostensiva e
investigativa, fixada em 1969 durante a ditadura militar, cristalizou um modelo
fragmentado e ineficiente. Essa divisão comprometeu a eficácia da segurança
pública e reforçou a militarização da PMERJ (SAPORI, 2007).
A ditadura militar intensificou a militarização da
corporação, subordinando-a ao aparato repressivo nacional. Nesse período, a
PMERJ foi marcada pela ausência de mecanismos de accountability e pela
ampliação da distância entre polícia e sociedade (COSTA, 2004).
A disciplina e a hierarquia foram reforçadas como
valores centrais, transmitidos por ritos de passagem e práticas formativas. O
chamado “currículo oculto” desempenhou papel crucial na transmissão de valores
implícitos, consolidando o ethos militar (MESQUITA NETO, 1999).
A identidade institucional da PMERJ foi moldada por
símbolos e linguagens próprias, como continências, uniformes e códigos de
rádio, que sacralizaram a atividade policial e consolidaram a cultura militar
(BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício. Essa narrativa reforçou a masculinidade militar e a lógica de
guerra (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública. Essa realidade tensionou os modelos democráticos
de policiamento (COSTA, 2004).
A identidade da PMERJ foi vivida como experiência
de dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como teste de
caráter. Essa resiliência moral fortaleceu a corporação diante das críticas
externas (BALESTRERI, 2003).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A identidade da PMERJ refletiu as contradições do
Estado brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e
cidadania (BRETAS, 1998).
A identidade institucional foi reforçada por
práticas de isolamento social, que restringiram o convívio do policial aos
pares da corporação. Esse fenômeno retroalimentou as convicções internas
(COSTA, 2004).
A identidade da PMERJ foi marcada pela ambivalência
entre tradição e modernidade, disciplina e cidadania, guerra e serviço público.
Essa ambivalência refletiu os dilemas da segurança pública brasileira (BITTNER,
2003).
Refletir sobre a gênese e evolução histórica da
PMERJ é reconhecer que a corporação precisa equilibrar sua tradição militar com
as exigências de uma sociedade democrática. Essa identidade deve ser
reinterpretada como instrumento de cidadania, e não apenas de guerra (ARANTES,
2026).
A
GUARDA REAL DE POLÍCIA: A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL E A CRIAÇÃO DA GUARDA EM 1809
A chegada da Família Real ao Brasil em 1808
representou um marco decisivo para a organização da segurança pública. A
criação da Guarda Real de Polícia em 1809 foi resposta imediata às necessidades
de controle urbano da Corte, que se expandia rapidamente (BRETAS, 1998).
Inspirada na Gendarmerie francesa, a Guarda
Real foi concebida como força de contenção social e instrumento de manutenção
da ordem pública. Essa inspiração europeia reforçou a militarização da polícia
brasileira desde sua origem (BARRETO FILHO; LIMA, 1939).
A Guarda Real foi estruturada para garantir
estabilidade política e proteger os interesses das elites coloniais. Sua função
primordial foi assegurar a ordem e controlar as populações urbanas (CASTRO,
1977).
A criação da Guarda Real consolidou a disciplina e
a hierarquia como valores centrais da identidade policial. Esses elementos
transcenderam a mera organização administrativa e se tornaram pilares
ontológicos da corporação (COSTA, 2004).
A Guarda Real atuou na repressão de revoltas
populares e insurreições urbanas, reforçando sua identidade militarizada e a
percepção de que a polícia era instrumento de imposição estatal (MESQUITA NETO,
2004).
A disciplina foi transmitida por ritos de passagem
e práticas formativas, consolidando o ethos militar. O “currículo oculto”
desempenhou papel crucial na transmissão de valores implícitos (MESQUITA NETO,
1999).
A identidade institucional da Guarda Real foi
moldada por símbolos e linguagens próprias, como continências e uniformes, que
sacralizaram a atividade policial (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício. Essa narrativa reforçou a masculinidade militar e a lógica de
guerra (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A Guarda Real consolidou-se como braço armado do
Estado, atuando em defesa da ordem estabelecida e reprimindo manifestações
populares (CASTRO, 1977).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A identidade da Guarda Real foi vivida como
experiência de dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como
teste de caráter (BALESTRERI, 2003).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A identidade da Guarda Real refletiu as
contradições do Estado brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia,
repressão e cidadania (BRETAS, 1998).
A identidade institucional foi reforçada por
práticas de isolamento social, que restringiram o convívio do policial aos
pares da corporação (COSTA, 2004).
A identidade da Guarda Real foi marcada pela
ambivalência entre tradição e modernidade, disciplina e cidadania, guerra e
serviço público (BITTNER, 2003).
Refletir sobre a criação da Guarda Real é
reconhecer que a corporação nasceu militarizada e precisa reinterpretar sua
identidade como instrumento de cidadania, e não apenas de guerra (ARANTES,
2026).
A
Polícia da Corte – Atuação durante o Império e a transição para a República
A Polícia da Corte, sucessora da Guarda Real de
Polícia, consolidou-se como instituição fundamental para a manutenção da ordem
durante o período imperial. Criada em 1809, sua função primordial era garantir
a estabilidade política e proteger os interesses da elite colonial, refletindo
o modelo militarizado inspirado na Gendarmerie francesa (BRETAS, 1998).
Durante o Império, a Polícia da Corte foi utilizada
como instrumento de repressão contra revoltas populares e insurreições urbanas,
como a Revolta dos Malês e a Revolta da Cabanagem. Essa atuação reforçou sua
identidade como força de contenção social (CASTRO, 1977).
A centralização administrativa e a verticalidade
hierárquica da corporação consolidaram a disciplina e a hierarquia como pilares
da identidade policial. Esses elementos transcenderam a mera organização
administrativa e se tornaram valores ontológicos (COSTA, 2004).
A Polícia da Corte atuava em defesa da ordem
estabelecida, reprimindo manifestações políticas e sociais que ameaçassem a
estabilidade do regime imperial. Essa função reforçou a percepção da polícia
como braço armado do Estado (MESQUITA NETO, 2004).
A disciplina foi transmitida por ritos de passagem
e práticas formativas, consolidando o ethos militar. O “currículo oculto”
desempenhou papel crucial na transmissão de valores implícitos (MESQUITA NETO,
1999).
A identidade institucional da Polícia da Corte foi
moldada por símbolos e linguagens próprias, como continências e uniformes, que
sacralizaram a atividade policial (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício. Essa narrativa reforçou a masculinidade militar e a lógica de
guerra (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A transição para a República não alterou
substancialmente essa estrutura. A polícia continuou a ser utilizada como
instrumento de repressão política e social, atuando em defesa da ordem
estabelecida (CASTRO, 1977).
A identidade da Polícia da Corte foi vivida como
experiência de dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como
teste de caráter (BALESTRERI, 2003).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A identidade da Polícia da Corte refletiu as
contradições do Estado brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia,
repressão e cidadania (BRETAS, 1998).
A identidade institucional foi reforçada por
práticas de isolamento social, que restringiram o convívio do policial aos
pares da corporação (COSTA, 2004).
A identidade da Polícia da Corte foi marcada pela
ambivalência entre tradição e modernidade, disciplina e cidadania, guerra e
serviço público (BITTNER, 2003).
A disciplina e a hierarquia foram reforçadas como
valores centrais, transmitidos por ritos de passagem e práticas formativas
(MESQUITA NETO, 1999).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A identidade da Polícia da Corte foi vivida como
experiência de dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como
prova de honra e profissionalismo (BALESTRERI, 2003).
Refletir sobre a Polícia da Corte é reconhecer que
a corporação nasceu militarizada e precisa reinterpretar sua identidade como
instrumento de cidadania, e não apenas de guerra (ARANTES, 2026).
A
Fusão de 1975: O impacto da fusão entre a Polícia Militar do Estado da
Guanabara e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
A fusão de 1975 entre a Polícia Militar do Estado
da Guanabara e a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro consolidou a
estrutura atual da PMERJ. Esse processo foi resultado da fusão política e
administrativa dos dois estados, determinada pela ditadura militar (BRETAS,
1998).
A fusão representou um marco institucional, unindo
duas corporações com culturas e tradições distintas. A Polícia da Guanabara,
marcada pela urbanidade da capital federal, e a Polícia do Rio de Janeiro, com
raízes históricas mais antigas, precisaram integrar suas práticas (CASTRO,
1977).
A integração das duas corporações exigiu a
unificação de comandos, batalhões e estruturas administrativas. Essa
reorganização reforçou a disciplina e a hierarquia como valores centrais da
nova instituição (COSTA, 2004).
A fusão também consolidou a dualidade entre polícia
ostensiva e investigativa, cristalizada em 1969. Essa divisão comprometeu a
eficácia da segurança pública e reforçou a militarização da PMERJ (SAPORI,
2007).
A identidade institucional da nova PMERJ foi
moldada por símbolos e linguagens próprias, que sacralizaram a atividade
policial e consolidaram a cultura militar (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A fusão ampliou a presença da PMERJ em todo o
território fluminense, consolidando sua função como principal força de
segurança pública do estado (ARANTES, 2026).
A integração das duas corporações exigiu a
padronização de currículos formativos e práticas disciplinares. O “currículo
oculto” desempenhou papel crucial na transmissão de valores implícitos
(MESQUITA NETO, 1999).
A fusão também reforçou práticas de isolamento
social, que restringiram o convívio do policial aos pares da corporação (COSTA,
2004).
A identidade da nova PMERJ foi vivida como
experiência de dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como
teste de caráter (BALESTRERI, 2003).
A fusão consolidou a PMERJ como instituição
estratégica para a segurança pública brasileira, ampliando sua relevância
nacional (COMPARATO, 2015).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (MESQUITA NETO, 2004).
A fusão refletiu as contradições do Estado
brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania
(BRETAS, 1998).
Refletir sobre a fusão de 1975 é reconhecer que a
PMERJ consolidou sua estrutura atual, mas precisa reinterpretar sua identidade
como instrumento de cidadania, e não apenas de guerra (ARANTES, 2026).
A fusão de 1975 permanece como marco histórico que
consolidou a PMERJ como força de segurança pública, mas também perpetuou
dilemas estruturais que ainda desafiam a corporação (COMPARATO, 2015).
CAPÍTULO
2: A Constituição de 1988 e o Novo Paradigma
A promulgação da Constituição Federal de 1988
representou um marco histórico para a segurança pública brasileira, inaugurando
um novo paradigma que buscava superar a tradição autoritária herdada do período
imperial e intensificada pela ditadura militar. O artigo 144 estabeleceu que a
segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos,
redefinindo a função das polícias militares, incluindo a PMERJ (BRASIL, 1988).
A Constituição de 1988 introduziu a noção de
coprodução da segurança, implicando que o Estado não poderia monopolizar a
função policial. Essa perspectiva legitimou a participação da sociedade civil
na construção da ordem pública, aproximando-se da filosofia da polícia
comunitária (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994).
A PMERJ, contudo, enfrentou dificuldades para
adaptar-se ao novo paradigma. Sua identidade institucional, profundamente
marcada pelo ethos militar, resistiu às mudanças propostas pela Constituição,
mantendo práticas tradicionais de policiamento reativo (MESQUITA NETO, 2004).
A dualidade entre polícia ostensiva e
investigativa, cristalizada em 1969, continuou a comprometer a eficácia da
segurança pública. Essa fragmentação estrutural dificultou a integração das
ações e a transição para um modelo democrático de policiamento (SAPORI, 2007).
A Constituição de 1988 reforçou a ideia de que a
segurança pública deve ser exercida para a preservação da ordem e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio. Isso implicou que a PMERJ deveria se
orientar por princípios de legalidade, ética e respeito aos direitos humanos
(BALESTRERI, 2003).
A PMERJ, ao longo de sua trajetória, oscilou entre
práticas repressivas e iniciativas de aproximação comunitária. Essa
ambivalência refletiu os dilemas da segurança pública brasileira, que oscilava
entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania (BITTNER, 2003).
O artigo 144 da CF/88 legitimou a participação da
sociedade na construção da segurança pública. Isso significou que conselhos
comunitários, associações de moradores e organizações civis deveriam ser
integrados às políticas de segurança, em parceria com a PMERJ (FERREIRA, 1995).
A identidade institucional da PMERJ foi reforçada
por símbolos e linguagens próprias, como continências e uniformes, que
sacralizaram a atividade policial e consolidaram a cultura militar (BRETAS,
1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício. Essa narrativa reforçou a masculinidade militar e a lógica de
guerra (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública. Essa realidade tensionou os modelos democráticos
de policiamento (COSTA, 2004).
A identidade da PMERJ foi vivida como experiência
de dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como teste de
caráter. Essa resiliência moral fortaleceu a corporação diante das críticas
externas (BALESTRERI, 2003).
A Constituição de 1988 também reforçou a ideia de
que a segurança pública é responsabilidade de todos os cidadãos. Isso implicou
que a PMERJ deveria atuar em parceria com a sociedade, promovendo a construção
coletiva da ordem e da tranquilidade social (ARANTES, 2026).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A identidade da PMERJ refletiu as contradições do
Estado brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e
cidadania (BRETAS, 1998).
A identidade institucional foi reforçada por
práticas de isolamento social, que restringiram o convívio do policial aos
pares da corporação. Esse fenômeno retroalimentou as convicções internas
(COSTA, 2004).
A Constituição de 1988 representou, portanto, um
divisor de águas para a PMERJ, exigindo que a corporação reinterpretasse sua
identidade como instrumento de cidadania, e não apenas de guerra (ARANTES,
2026).
Refletir sobre a Constituição de 1988 é reconhecer
que a PMERJ precisa equilibrar sua tradição militar com as exigências de uma
sociedade democrática. Essa identidade deve ser reinterpretada como instrumento
de cidadania, e não apenas de guerra (COMPARATO, 2015).
A
TRANSIÇÃO DO MODELO DE SEGURANÇA NACIONAL PARA O MODELO DE SEGURANÇA CIDADÃ
A transição do modelo de segurança nacional para o
modelo de segurança cidadã foi um dos principais desafios enfrentados pela
PMERJ após a Constituição de 1988. O modelo anterior, consolidado durante a
ditadura militar, privilegiava a lógica da repressão e da defesa do Estado, em
detrimento da proteção cidadã (COSTA, 2004).
O modelo de segurança nacional via a polícia como
instrumento de contenção social e de combate a inimigos internos. Essa
perspectiva reforçou a militarização da PMERJ e a distância entre polícia e
sociedade (MESQUITA NETO, 2004).
A Constituição de 1988 introduziu o paradigma da
segurança cidadã, que enfatizava a proteção dos direitos humanos e a
participação da sociedade na construção da ordem pública (BRASIL, 1988).
A transição para esse novo modelo exigiu mudanças
profundas na identidade institucional da PMERJ, que precisou conciliar sua
tradição militar com as demandas democráticas contemporâneas (ARANTES, 2026).
A filosofia da polícia comunitária foi uma das
principais estratégias adotadas para promover essa transição. Inspirada em
modelos internacionais, buscava integrar polícia e sociedade na resolução de
problemas locais (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994).
A PMERJ, contudo, enfrentou resistências internas,
ligadas ao corporativismo e à manutenção de práticas tradicionais de
policiamento reativo. Essas resistências dificultaram a implementação plena do
modelo de segurança cidadã (MESQUITA NETO, 2004).
A dualidade entre polícia ostensiva e investigativa
continuou a comprometer a eficácia da segurança pública, dificultando a
integração das ações e a transição para um modelo democrático de policiamento
(SAPORI, 2007).
A identidade institucional da PMERJ foi reforçada
por símbolos e linguagens próprias, que sacralizaram a atividade policial e
consolidaram a cultura militar (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício. Essa narrativa reforçou a masculinidade militar e a lógica de
guerra (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A identidade da PMERJ foi vivida como experiência
de dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como teste de
caráter (BALESTRERI, 2003).
A transição para o modelo de segurança cidadã
exigiu investimentos em formação, accountability e participação comunitária.
Esses elementos foram fundamentais para aproximar a polícia da sociedade
(FERREIRA, 1995).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A transição do modelo de segurança nacional para o
modelo de segurança cidadã refletiu as contradições do Estado brasileiro,
oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania (BRETAS,
1998).
Refletir sobre essa transição é reconhecer que a
PMERJ precisa equilibrar sua tradição militar com as exigências de uma
sociedade democrática. Essa identidade deve ser reinterpretada como instrumento
de cidadania, e não apenas de guerra (ARANTES, 2026).
A transição para o modelo de segurança cidadã
permanece como desafio contemporâneo, exigindo reformas profundas que integrem
direitos humanos, accountability e participação comunitária como elementos
centrais da segurança pública (COMPARATO, 2015).
A PMERJ
sob a égide democrática – desafios de adaptação institucional aos Direitos
Humanos
A redemocratização brasileira, consolidada com a
Constituição de 1988, trouxe novos desafios para a Polícia Militar do Estado do
Rio de Janeiro (PMERJ). A corporação, historicamente marcada por práticas
autoritárias e militarizadas, precisou adaptar-se a um contexto em que os Direitos
Humanos passaram a ser pilares da segurança pública (BRASIL, 1988).
O artigo 144 da Constituição estabeleceu que a
segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos,
exigindo da PMERJ uma atuação voltada não apenas para a repressão, mas para a
proteção da cidadania (COMPARATO, 2015).
Essa mudança paradigmática implicou a necessidade
de revisão da identidade institucional da corporação, que até então se via como
força de contenção social e braço armado do Estado (BRETAS, 1998).
A PMERJ enfrentou resistências internas à adoção de
práticas voltadas para os Direitos Humanos, ligadas ao corporativismo e à
cultura de pronta resposta. Essas resistências dificultaram a implementação de
programas de policiamento comunitário (MESQUITA NETO, 2004).
A filosofia da polícia comunitária, introduzida nos
anos 1990, buscava aproximar a corporação da sociedade, mas encontrou barreiras
estruturais e culturais que limitaram sua efetividade (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A dualidade entre polícia ostensiva e
investigativa, cristalizada em 1969, continuou a comprometer a eficácia da
segurança pública e dificultou a integração das ações (SAPORI, 2007).
A PMERJ precisou incorporar disciplinas de Direitos
Humanos em seus currículos formativos, influenciando a Matriz Curricular
Nacional de Segurança Pública (MESQUITA NETO, 1999).
A identidade institucional foi reforçada por
símbolos e linguagens próprias, como continências e uniformes, que sacralizaram
a atividade policial e consolidaram a cultura militar (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício, dificultando a transição para uma polícia cidadã (MUNIZ; ZACCHI,
2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A identidade da PMERJ foi vivida como experiência de
dignidade, onde suportar as agruras da caserna foi visto como teste de caráter
(BALESTRERI, 2003).
A Constituição de 1988 reforçou a ideia de que a
segurança pública é responsabilidade de todos os cidadãos, legitimando a
participação da sociedade na construção da ordem pública (FERREIRA, 1995).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A PMERJ refletiu as contradições do Estado
brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania
(BRETAS, 1998).
A adaptação institucional aos Direitos Humanos
permanece como desafio contemporâneo, exigindo reformas profundas que integrem
accountability e participação comunitária (ARANTES, 2026).
Refletir sobre a PMERJ sob a égide democrática é
reconhecer que a corporação precisa equilibrar sua tradição militar com as
exigências de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
CAPÍTULO
3: Estrutura Institucional e Organizacional da PMERJ
A estrutura institucional da PMERJ é marcada pela
hierarquia e disciplina, elementos que transcendem a mera organização
administrativa e se tornaram pilares ontológicos da identidade policial
(CASTRO, 1977).
A verticalidade hierárquica estabelece um sistema
de autoridade que garante previsibilidade em cenários de caos urbano e
violência extrema (COSTA, 2004).
A disciplina é transmitida por ritos de passagem e
práticas formativas, consolidando o ethos militar e moldando a subjetividade do
policial (MESQUITA NETO, 1999).
A identidade institucional é reforçada por símbolos
e linguagens próprias, como continências e uniformes, que sacralizam a
atividade policial (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação é permeado por narrativas
heroicas que projetam o policial como combatente pronto para o sacrifício
(MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A estrutura organizacional da PMERJ é composta por
Comandos de Policiamento de Área (CPAs), que distribuem territorialmente os
batalhões e garantem a presença da corporação em todo o estado (ARANTES, 2026).
Os CPAs funcionam como unidades estratégicas de
comando, responsáveis pela coordenação das atividades operacionais em suas
respectivas áreas (COSTA, 2004).
A formação do oficial e do praça é organizada por
currículos pedagógicos que evoluíram ao longo do tempo, incorporando
disciplinas de Direitos Humanos e policiamento comunitário (MESQUITA NETO,
1999).
O “currículo oculto” desempenha papel crucial na
transmissão de valores implícitos, consolidando a disciplina e a hierarquia
como valores centrais (MESQUITA NETO, 2004).
A estrutura organizacional da PMERJ reflete as
contradições do Estado brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia,
repressão e cidadania (BRETAS, 1998).
A identidade institucional é vivida como
experiência de dignidade, onde suportar as agruras da caserna é visto como
teste de caráter (BALESTRERI, 2003).
A estrutura organizacional é constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar (ARANTES, 2026).
Essa estrutura é ambivalente: ao mesmo tempo em que
garante coesão e previsibilidade, dificulta a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A estrutura organizacional da PMERJ foi moldada por
símbolos e linguagens próprias, que sacralizaram a atividade policial (BRETAS,
1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A estrutura institucional e organizacional da PMERJ
permanece como desafio contemporâneo, exigindo reformas profundas que integrem
accountability e participação comunitária (ARANTES, 2026).
Refletir sobre a estrutura institucional da PMERJ é
reconhecer que a corporação precisa equilibrar sua tradição militar com as
exigências de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
ESTRUTURA
INSTITUCIONAL E ORGANIZACIONAL DA PMERJ
ANÁLISE
DA HIERARQUIA E DISCIPLINA COMO PILARES VOLTADOS À EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA
A hierarquia e a disciplina constituem os pilares
fundamentais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ),
funcionando não apenas como mecanismos de controle simbólico, mas como
instrumentos de eficiência administrativa. Desde sua gênese, esses valores
foram incorporados como elementos centrais da identidade institucional (CASTRO,
1977).
A verticalidade hierárquica garante previsibilidade
em cenários de caos urbano, permitindo que a corporação funcione como bloco
monolítico. Essa previsibilidade é essencial para a eficácia operacional e
administrativa (COSTA, 2004).
A disciplina, transmitida por ritos de passagem e
práticas formativas, molda a subjetividade do policial e reforça a coesão da
tropa. Essa coesão é vital para enfrentar situações de estresse extremo
(MESQUITA NETO, 1999).
A hierarquia organiza as relações sociais dentro da
caserna, estabelecendo uma gramática de respeito que se reflete na forma como o
policial interage com a sociedade (BRETAS, 1998).
A disciplina é vivida como experiência de
dignidade, onde suportar as agruras da caserna é visto como teste de caráter.
Essa resiliência moral fortalece a identidade institucional (BALESTRERI, 2003).
A hierarquia e a disciplina são constantemente
reafirmadas em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagra o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Esses valores são ambivalentes: ao mesmo tempo em
que garantem coesão e previsibilidade, dificultam a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A hierarquia e a disciplina refletem as
contradições do Estado brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia,
repressão e cidadania (BRETAS, 1998).
A disciplina é reforçada por símbolos e linguagens
institucionais, como continências e uniformes, que sacralizam a atividade
policial (CASTRO, 1977).
A hierarquia organiza não apenas funções
administrativas, mas também a percepção social do policial dentro da tropa
(COSTA, 2004).
A disciplina é reforçada por práticas de isolamento
social, que restringem o convívio do policial aos pares da corporação (MESQUITA
NETO, 2004).
A hierarquia e a disciplina são vividas como
experiência de dignidade, onde suportar as agruras da caserna é visto como
prova de honra e profissionalismo (BALESTRERI, 2003).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a disciplina é a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A hierarquia e a disciplina permanecem como desafio
contemporâneo, exigindo reformas profundas que integrem accountability e
participação comunitária (ARANTES, 2026).
Refletir sobre a hierarquia e a disciplina é
reconhecer que a PMERJ precisa reinterpretar esses valores como instrumentos de
cidadania, e não apenas de guerra (COMPARATO, 2015).
Distribuição territorial:
Comandos de Policiamento de Área (CPAs) e o papel estratégico dos Batalhões
A distribuição territorial da PMERJ é organizada
por meio dos Comandos de Policiamento de Área (CPAs), que funcionam como
unidades estratégicas de comando responsáveis pela coordenação das atividades
operacionais em suas respectivas regiões (ARANTES, 2026).
Os CPAs garantem a presença da corporação em todo o
estado, permitindo que a PMERJ atue de forma descentralizada e adaptada às
especificidades locais (COSTA, 2004).
Cada CPA é composto por batalhões que desempenham
papel fundamental na execução das atividades de policiamento ostensivo (BRETAS,
1998).
Os batalhões funcionam como unidades operacionais
de base, responsáveis pela manutenção da ordem pública em áreas específicas
(CASTRO, 1977).
A distribuição territorial da PMERJ reflete a
necessidade de garantir capilaridade e presença constante em todo o território
fluminense (MESQUITA NETO, 2004).
Os CPAs são organizados de forma hierárquica,
garantindo previsibilidade e eficiência administrativa (COSTA, 2004).
Os batalhões são constantemente reafirmados como
unidades estratégicas em cerimônias internas, reforçando a identidade
institucional da corporação (ARANTES, 2026).
A distribuição territorial é vivida como
experiência de dignidade, onde suportar as agruras da caserna é visto como
prova de honra e profissionalismo (BALESTRERI, 2003).
A violência urbana contemporânea retroalimentou a
necessidade de presença constante da PMERJ em áreas conflagradas (COSTA, 2004).
A distribuição territorial reflete as contradições
do Estado brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e
cidadania (BRETAS, 1998).
Os CPAs e batalhões são reforçados por símbolos e
linguagens institucionais, que sacralizam a atividade policial (CASTRO, 1977).
A distribuição territorial é organizada de forma a
garantir previsibilidade em cenários de caos urbano (COSTA, 2004).
Os batalhões funcionam como instrumentos de
legitimação da autoridade estatal (COMPARATO, 2015).
A distribuição territorial permanece como desafio
contemporâneo, exigindo reformas profundas que integrem accountability e
participação comunitária (ARANTES, 2026).
Refletir sobre a distribuição territorial é
reconhecer que a PMERJ precisa equilibrar sua tradição militar com as
exigências de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
A
FORMAÇÃO DO OFICIAL E DO PRAÇA: EVOLUÇÃO DOS CURRÍCULOS PEDAGÓGICOS
A formação do oficial e do praça na PMERJ é
organizada por currículos pedagógicos que evoluíram ao longo do tempo,
incorporando disciplinas de Direitos Humanos e policiamento comunitário
(MESQUITA NETO, 1999).
O “currículo oculto” desempenha papel crucial na
transmissão de valores implícitos, consolidando a disciplina e a hierarquia
como valores centrais (MESQUITA NETO, 2004).
A formação é vivida como experiência de dignidade,
onde suportar as agruras da caserna é visto como teste de caráter (BALESTRERI,
2003).
A identidade institucional é reforçada por símbolos
e linguagens próprias, como continências e uniformes (BRETAS, 1998).
O cotidiano da formação é permeado por narrativas
heroicas que projetam o policial como combatente pronto para o sacrifício
(MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A formação do oficial é organizada de forma
hierárquica, garantindo previsibilidade e eficiência administrativa (COSTA,
2004).
A formação do praça é marcada por práticas de
isolamento social, que restringem o convívio do policial aos pares da
corporação (MESQUITA NETO, 2004).
A formação é constantemente reafirmada em
cerimônias internas, como o juramento militar (ARANTES, 2026).
Essa formação é ambivalente: ao mesmo tempo em que
garante coesão e previsibilidade, dificulta a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A violência urbana contemporânea retroalimentou a
necessidade de formação voltada para o enfrentamento bélico (COSTA, 2004).
A formação reflete as contradições do Estado
brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania
(BRETAS, 1998).
A formação é reforçada por símbolos e linguagens
institucionais, que sacralizam a atividade policial (CASTRO, 1977).
A formação é organizada de forma a garantir
previsibilidade em cenários de caos urbano (COSTA, 2004).
A formação permanece como desafio contemporâneo,
exigindo reformas profundas que integrem accountability e participação
comunitária (ARANTES, 2026).
Refletir sobre a formação do oficial e do praça é
reconhecer que a PMERJ precisa equilibrar sua tradição militar com as
exigências de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
CAPÍTULO
4: FILOSOFIAS DE POLICIAMENTO E PROXIMIDADE
FILOSOFIAS
DE POLICIAMENTO E PROXIMIDADE
As filosofias de policiamento e proximidade
surgiram como resposta às limitações do modelo tradicional de policiamento
reativo, marcado pela militarização e pelo distanciamento da população. No caso
da PMERJ, essas filosofias foram introduzidas como tentativa de alinhar a
corporação às exigências democráticas da Constituição de 1988 (BRASIL, 1988).
O policiamento comunitário, inspirado em modelos
internacionais como o britânico de Robert Peel e o japonês Koban, buscou
integrar polícia e sociedade na resolução de problemas locais (TAVARES DOS
SANTOS et al., 2011).
A filosofia da proximidade enfatizou a coprodução
da segurança, legitimando a participação da sociedade civil na construção da
ordem pública (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994).
A PMERJ enfrentou resistências internas à adoção
dessas filosofias, ligadas ao corporativismo e à manutenção de práticas
tradicionais de policiamento reativo (MESQUITA NETO, 2004).
A identidade institucional, marcada pelo ethos
militar, dificultou a transição para modelos de policiamento comunitário e
democrático (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício, em contraste com a lógica de proximidade (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A filosofia da proximidade exigiu investimentos em
formação, accountability e participação comunitária, elementos fundamentais
para aproximar a polícia da sociedade (FERREIRA, 1995).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Refletir sobre as filosofias de policiamento e
proximidade é reconhecer que a PMERJ precisa equilibrar sua tradição militar
com as exigências de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
POLÍCIA
COMUNITÁRIA NO RIO DE JANEIRO: DAS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS ÀS UPPS
A polícia comunitária no Rio de Janeiro surgiu nos
anos 1980 e 1990 como resposta às limitações do modelo tradicional de
policiamento. Experiências pioneiras buscaram aproximar a polícia das
comunidades, inspiradas em modelos internacionais (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A filosofia comunitária foi consolidada em
documentos oficiais como a Matriz Curricular Nacional de Segurança Pública, que
enfatizou Direitos Humanos e participação social como pilares da formação
policial (MESQUITA NETO, 1999).
A PMERJ enfrentou resistências internas à adoção da
polícia comunitária, ligadas ao corporativismo e à cultura de pronta resposta
(MESQUITA NETO, 2004).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício, em contraste com a lógica comunitária (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), criadas
em 2008, representaram a tentativa mais ambiciosa de implementar a filosofia
comunitária no Rio de Janeiro (ARANTES, 2026).
As UPPs buscavam ocupar territórios dominados pelo
crime organizado e estabelecer uma presença policial permanente, voltada para a
proximidade com a comunidade (TAVARES DOS SANTOS et al., 2011).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
As UPPs refletiram as contradições do Estado
brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania
(BRETAS, 1998).
A filosofia comunitária exigiu investimentos em
formação, accountability e participação comunitária (FERREIRA, 1995).
A identidade institucional foi reforçada por
símbolos e linguagens próprias, que sacralizaram a atividade policial (CASTRO,
1977).
As UPPs permaneceram como desafio contemporâneo,
exigindo reformas profundas que integrassem Direitos Humanos e participação
comunitária (ARANTES, 2026).
Refletir sobre a polícia comunitária no Rio de
Janeiro é reconhecer que a PMERJ precisa equilibrar sua tradição militar com as
exigências de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
POLÍCIA
DE PROXIMIDADE: O CONCEITO DE "SEGURANÇA PRESENTE" E A INTEGRAÇÃO COM
A SOCIEDADE CIVIL
O programa “Segurança Presente” surgiu como
iniciativa de policiamento de proximidade, buscando integrar a PMERJ com a
sociedade civil em áreas estratégicas do Rio de Janeiro (ARANTES, 2026).
O conceito de proximidade enfatizou a coprodução da
segurança, legitimando a participação da sociedade civil na construção da ordem
pública (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994).
A PMERJ enfrentou resistências internas à adoção da
filosofia de proximidade, ligadas ao corporativismo e à manutenção de práticas
tradicionais (MESQUITA NETO, 2004).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício, em contraste com a lógica de proximidade (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
O programa “Segurança Presente” buscou ocupar áreas
estratégicas e estabelecer uma presença policial permanente, voltada para a
proximidade com a comunidade (ARANTES, 2026).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
O programa refletiu as contradições do Estado
brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania
(BRETAS, 1998).
A filosofia de proximidade exigiu investimentos em
formação, accountability e participação comunitária (FERREIRA, 1995).
A identidade institucional foi reforçada por símbolos
e linguagens próprias, que sacralizaram a atividade policial (CASTRO, 1977).
O programa “Segurança Presente” permanece como
desafio contemporâneo, exigindo reformas profundas que integrem Direitos
Humanos e participação comunitária (ARANTES, 2026).
Refletir sobre a polícia de proximidade é
reconhecer que a PMERJ precisa equilibrar sua tradição militar com as
exigências de uma sociedade democrática (COMPARATO, 2015).
ANÁLISE
CRÍTICA: SUCESSOS E GARGALOS NA IMPLEMENTAÇÃO DA FILOSOFIA COMUNITÁRIA EM ÁREAS
CONFLAGRADAS
A implementação da filosofia comunitária em áreas
conflagradas do Rio de Janeiro revelou tanto sucessos quanto gargalos
estruturais. As Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram exemplo de
tentativa de aproximação comunitária em territórios dominados pelo crime
organizado (ARANTES, 2026).
O sucesso inicial das UPPs foi marcado pela redução
da violência em algumas comunidades, reforçando a importância da presença
policial permanente e da ocupação territorial como estratégia de pacificação
(TAVARES DOS SANTOS et al., 2011).
Contudo, os gargalos estruturais logo se tornaram
evidentes, ligados à falta de continuidade das políticas públicas e à
resistência interna da corporação, que ainda mantinha forte ethos militar
(MESQUITA NETO, 2004).
A identidade institucional da PMERJ, marcada pela
disciplina e hierarquia, dificultou a transição para modelos de policiamento
comunitário e democrático, perpetuando práticas autoritárias (BRETAS, 1998).
O cotidiano da corporação foi permeado por
narrativas heroicas que projetaram o policial como combatente pronto para o
sacrifício, em contraste com a lógica comunitária de proximidade e diálogo
(MUNIZ; ZACCHI, 2005).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública, o que limitou a efetividade das UPPs (COSTA,
2004).
A filosofia comunitária exigia investimentos em
formação, accountability e participação comunitária, mas esses elementos foram
insuficientes ou inconsistentes ao longo da implementação (FERREIRA, 1995).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar, que consagrou o
policial como combatente disposto ao sacrifício, dificultando a adoção de uma
postura cidadã (ARANTES, 2026).
Essa identidade ambivalente garantiu coesão e
previsibilidade, mas ao mesmo tempo dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
As UPPs refletiram as contradições do Estado
brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania,
sem conseguir consolidar uma prática policial plenamente democrática (BRETAS,
1998).
A filosofia comunitária foi reforçada por símbolos
e linguagens institucionais, mas muitas vezes esses elementos sacralizaram a
atividade policial em detrimento da aproximação comunitária (CASTRO, 1977).
O programa das UPPs foi vivenciado como experiência
de dignidade por parte de alguns policiais, mas também como imposição
autoritária por parte das comunidades, revelando o choque de percepções
(BALESTRERI, 2003).
A violência urbana e a presença do crime organizado
tornaram a implementação da filosofia comunitária um desafio constante,
exigindo estratégias de ocupação territorial que muitas vezes se confundiram
com práticas militares (COSTA, 2004).
O currículo pedagógico da PMERJ incorporou
disciplinas de Direitos Humanos e policiamento comunitário, mas o “currículo
oculto” continuou a transmitir valores militares e beligerantes (MESQUITA NETO,
1999).
A filosofia comunitária foi constantemente
tensionada pela lógica de guerra, que via o policial como combatente e não como
mediador social (MUNIZ; ZACCHI, 2005).
As UPPs tiveram sucesso inicial em reduzir a
letalidade policial, mas esse sucesso não se sustentou diante da falta de
continuidade das políticas públicas e da ausência de investimentos sociais
complementares (ARANTES, 2026).
A identidade institucional da PMERJ foi reforçada
por práticas de isolamento social, que restringiram o convívio do policial aos
pares da corporação, dificultando a oxigenação por ideias externas (COSTA,
2004).
A filosofia comunitária exigia a integração da
polícia com conselhos comunitários e associações civis, mas essa integração foi
parcial e muitas vezes simbólica (FERREIRA, 1995).
A violência urbana contemporânea retroalimentou o
ethos militar, solidificando a visão de que a guerra era a única linguagem
possível na segurança pública (COSTA, 2004).
A filosofia comunitária foi vivida como experiência
de dignidade por parte de alguns policiais, mas também como imposição
autoritária por parte das comunidades (BALESTRERI, 2003).
As UPPs refletiram as contradições do Estado
brasileiro, oscilando entre autoritarismo e democracia, repressão e cidadania
(BRETAS, 1998).
A identidade institucional foi constantemente
reafirmada em cerimônias internas, como o juramento militar (ARANTES, 2026).
Essa identidade foi ambivalente: ao mesmo tempo em
que garantiu coesão e previsibilidade, dificultou a transição para modelos de
policiamento comunitário e democrático (COMPARATO, 2015).
A filosofia comunitária permanece como desafio
contemporâneo, exigindo reformas profundas que integrem Direitos Humanos,
accountability e participação comunitária como elementos centrais da segurança
pública (ARANTES, 2026).
Refletir sobre os sucessos e gargalos da filosofia
comunitária em áreas conflagradas é reconhecer que a PMERJ precisa equilibrar
sua tradição militar com as exigências de uma sociedade democrática,
reinterpretando sua identidade como instrumento de cidadania e não apenas de
guerra (COMPARATO, 2015).






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