SÉRIE | História do Brasil — o mito fundador da nação (4)











O continente perdido

A Atlântida também está incluída no nosso catálogo de lendas e, porque não, de possibilidades. Alguns pensam que os nossos índios seriam descendentes dos habitantes do continente perdido, visto que esses relataram aos jesuítas que seus ancestrais viviam num país que afundou (o dilúvio) e que fugiram em barcos. Muitos teriam morrido tentando, contam eles. Já outros acreditam que a Atlântida é aqui mesmo, no Brasil. Bom, fato é que existem evidências que sim, o nosso território já esteve submerso.

Em muitas civilizações antigas, e em escolas de mistérios, que perpetuavam o conhecimento, prevaleciam a tradição oral, isto é, o conhecimento era passado adiante oralmente, o que pode ter prejudicado o nosso acesso a relatos sobre tais assuntos demasiadamente antigos.

Existem obras, cujas fontes seriam antigos textos guardados no Tibet, e memórias ancestrais, que relatam que os habitantes da Lemúria – o continente perdido do pacífico – teriam migrado e colonizado a costa do pacífico do continente americano. Nos EUA, a região da Califórnia seria remanescente desse continente. Estes seriam os primeiros habitantes da América Central e do Sul – ancestrais de incas, astecas, maias e outros. Consta que Lemurianos e Atlantes usariam o mar amazônico (é fato que parte da amazônia já foi mar) como rota entre os dois continentes. Sendo assim, é fácil imaginar que haveriam portos e cidades as margens dessa rota na região amazônica. Com o afundamento da Atlântida, seus habitantes teriam emigrado para as Américas, principalmente Central e do Sul, e ali viveram junto com os descendentes Lemurianos. Ludwig Schwennhagen defende que o Tupi, na verdade, o nhenhen-catu/nheengatu, era a língua falada na Atlântida e esta foi a língua mãe dos povos da antiguidade. Assim como o latim hoje.

Existe ainda a hipótese de que os atlantes teriam fundado nas Américas, diversas colônias, isso inclui o Brasil. Sete cidades no Piauí, litoral do Espírito Santo e Rio de Janeiro (local submerso), Serra do Roncador, Paititi no Peru, entre outras.

Tradições correntes entre os indígenas falam num grande e poderoso império que se estendia em tempos muito remotos, a oeste e ao norte do Mato Grosso. Alexandre Braghine nos revela em seu livro “O enigma da Atlântida”, que o marechal Cândido Rondon, Apolinário Frot e Dr. Brabosa e Bernardo A. S. Ramos teriam percorrido o Mato Grosso e ali encontrado inscrições rupestres em fenício, egípcio e até em sumério, bem como tetos escritos em caracteres alfabéticos análogos aos empregados nas ilhas de Creta e Chipre.

É fato que, o território onde se situa o Brasil, principalmente a região central, é antiquíssimo e remonta as primeiras formações que surgiram na crosta terrestre. São blocos imensos constituídos de rochas cristalinas, do tipo magmático-plutônicas, formadas em eras pré-cambrianas (há 4600 milhões de anos), ou de rochas metamórficas, originadas de material sedimentar do Paleozoico (há 542 milhões e 251 milhões de anos). Nesses ocais geralmente há ocorrência de minerais metálicos.

Esse território, no Brasil, corresponde a cerca de 36% da área total e são divididos em duas grandes porções: o escudo das Guianas, ao norte da planície Amazônica, e o escudo Brasileiro, na parte centro-oriental do país, cuja grande extensão permite dividi-lo em seis escudos e núcleos: Sul-Amazônico, Atlântico, Araguaia-Tocantins, Sul-Rio Grandense, Gurupi e Bolívio-Mato Grossense. Com exceção das bacias de sedimentação recente, como a do Pantanal mato-grossense, parte ocidental da bacia amazônica e trechos do litoral nordeste e sul, que são do Terciário e do Quaternário (há 65,5 milhões de anos).

Com base na datação de artefatos de pedra, encontrados na Serra do Capivarí no Piauí, arqueólogos propõem que membros da nossa espécie já viviam aqui há 50 mil anos. Mas isso não encontra consenso na comunidade científica internacional. A brasileira mais antiga já encontrada e “aceita” foi Luzia, com cerca de 13 mil anos, em lagoa vermelha, Minas Gerais. No mesmo local foram encontrados outros esqueletos humanos, cuja morfologia assemelha-se com as encontradas em nativos da Malásia, Austrália e África. Quase perdemos a Luzia no incêndio do Museu Nacional, mas fragmentos do crânio foram encontrados com danos e serão restaurados.

É difícil imaginar que um território tão antigo teria sido habitado antes de 1500 apenas por povos primitivos. Afinal, o Brasil é fronteiriço com civilizações, que parecem ter sido extraordinárias, cujas marcas resistiram ao tempo. Talvez os resquícios do lado brasileiro não tenha recebido a devida atenção científica, ainda, ou também sejam de difícil acesso.

Mas, Lemúria e Atlântida não são lendas?

Onde há fumaça, há fogo. Já foram encontrados diversos vestígios de civilizações submersas no pacífico, dentre elas, a mais conhecida: as ruínas submersas de Yonaguni – a cidade perdida do Japão, que foram descobertas no ano de 1986 pelo mergulhador japonês Kihachiro Aratake. As edificações assemelham-se as  pirâmides incas e maias. Os cientistas acreditam que a construção data de pelo menos 8 mil anos a.C. – quando esta parte do Japão estava na superfície.

Pirâmide submersa
O problema aqui, é que a arqueologia e a história defendem a tese de que as primeiras civilizações iniciaram por volta do quarto milênio a.C.,  aproximadamente há 6 mil anos, nas regiões próximas aos rios Tigre, o Eufrates, o Nilo, Indo e do Huang He ou rio Amarelo. Portanto, a descoberta das ruínas de Yonaguni obrigam a uma revisão na história.
Ruínas submersas de Yonaguni
Uma curiosidade: assim como as pirâmides do Egito estão alinhadas com a constelação de Orion, as pirâmides encontradas na China alinham perfeitamente com a constelação de Gêmeos. Os templos astecas de Tenochtitlán estão alinhados com a constelação de Urso; Angkor Wat, no Camboja, estão alinhados com a constelação do Dragão; as de Yonaguni estão alinhadas com os pontos cardeais.
Já no atlântico, foi encontrada a estrada de Bemini, perto da costa da ilha Bimini, nas Bahamas. Na costa brasileira, entre Rio e São Paulo a expedição Itatá-Piuna, uma pareceria entre o Brasil e Japão, encontrou em 2013 o que parece ser um continente submerso. Quem sabe, o futuro guarde novos descobrimentos nesse local.



Estrada de Bemini
O coronel da Marinha Britânica, James Churchward, enquanto servia na Índia, teria conhecido um sacerdote, Rishi, que lhe mostrou tábuas escritas em Naacal, uma língua que ele não conhecia e lhe foi ensinada pelo sacerdote. Essas tábuas contavam a história de Mu (Lemúria). Segundo ele, tábuas encontradas no México estariam na mesma língua. Ele escreveu o livro The Lost Continent of Mu: Motherland of Man (O Continente Perdido de Mu: Pátria do Homem).
Neste livro, ele relata que Mu foi destruído em um cataclismo global há dezenas de milhares de anos. Mu, segundo ele, era o lar original da humanidade, e todas as civilizações subsequentes dela descendiam. As ilhas do Pacífico e seus habitantes seriam os últimos sobreviventes desta pátria primordial. O Mu de Churchward era um continente enorme, que se estendia da Micronésia no oeste até a Ilha de Páscoa e o Havaí no leste. Churchward também acreditava na Atlântida, no meio do Atlântico. Ele propôs uma rede global de enormes cavernas cheias de gás que, se ventiladas, poderiam fazer com que grandes áreas de terra fossem submersas.
Estudos de DNA mitocondrial revelam que uma erupção (Lago Toba) teria ocorrido naquela região há cerca de 70 mil anos, o que pode ter dizimado a raça humana, produzindo um ‘gargalo populacional’ durante o qual nossa espécie foi reduzida para algumas centenas de indivíduos a um estágio mais primevo.


O calendário sumério começou a registrar diariamente desde o ano 4.468 a.C., na era de Touro. Porém, eles consideravam que o tempo tinha começado no ano 10.928 na constelação de Leão, quando ocorreu o dilúvio. Os egípcios também começam a contar o tempo a partir dessa data, quando sua terra emergiu das águas. A lenda diz que a esfinge tem corpo de leão para assinalar esse marco cataclismo e sua cabeça humana é o símbolo de aquário. Todos já devem ter ouvido falar no advento da era de aquário, a nova era.

O nosso sistema solar realiza um grande périplo em torno de uma estrela de terceira grandeza – Alcione, da constelação das Plêiades que, por sua vez, faz parte da constelação de Touro (o nosso Sol é uma estrela de quinta grandeza). Tal Périplo dura 25.920 anos, o grande ano de Platão. Os sumérios dividiram o círculo desse trajeto em 12 quadrantes de 30 graus, simbolizado por uma animal (o zodíaco). Sua passagem por cada quadrante durava 2.160 anos, o que conhecemos como era.  Ao longo de um ano, a terra gira em torno do sol em seu eixo de rotação fixa – gerando as estações do ano. Mas na realidade, o eixo de rotação do planeta não é fixo, este move-se  como um pião, com um movimento de rotação entorno de si mesmo e um movimento de precessão.  Em 1 ano ou em 100 anos, o eixo da terra não mudará. Porém, em períodos maiores mudará bastante. A precessão dos equinócios é o que dá origem ao chamado ano de Platão. As Plêiades são tão famosas e belas que os Chineses conseguiram identifica-las há 4 mil anos e os Gregos procuraram interpreta-las como sendo materialização de alguns deuses.
Há 12.960 anos a atividade do sol aumentou tanto que a temperatura subiu 20 graus centigrados em apenas 100 anos, isso fez com que o clima glacial terminasse e, como o gelo derreteu, o nível do mar subiu 130 metros. Além disso, a citada mudança no eixo da Terra seria a responsável pelo desaparecimento e surgimento de terra. O que explica o advento dos “continentes perdidos”.
Quem nos fez chegar aos relatos sobre a Atlântida foi o filósofo grego Platão, em Timeu; ele teria obtido essas informações no Egito, junto a sacerdotes. Segundo ele, esta seria uma Ilha vasta, existente após o estreito de Gilbraltar. Seus habitantes eram regidos por leis justas e tinha empreendido conquistas no mundo mediterrâneo, mas Atenas os repelira
O filósofo aponta para desarmonia, a ganância, a animalidade, a beligerância (guerra com povos vizinhos), como as causas que levaram ao afundamento que ocorrera em um dia e uma noite. Consta que foi a culminação de vários cataclismos, terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas, que levou a destruição a Ilha continente. Marcelino, um historiador romano, que viveu entre 330-395 d.C., diz que a intelectualidade de Alexandria considerava a destruição da Atlântida como um fato histórico. Tucídides historiador grego do século V a.C., em  “As Guerras do Peloponeso”, narra vários terremotos, referindo-se num deles ao afundamento de Atlante.
Atlântida de Portugal
Estudioso dizem que os Açores seriam os picos das montanhas desta ilha submersa no oceano atlântico, arrasadas e niveladas por tremendas convulsões vulcânicas, o que pode-se constatar já que em toda sua volta, existem amplas camadas de lava, e que toda a sua face submersa esta coberta por milhares de restos vulcânicos. Os Açores possuem 26 vulcões ativos, sendo 8 deles submersos. Sua localização está alinhada com a narrativa de Platão.
Sendo essa Ilha tão próxima de Portugal, teriam os atlantes se refugiado e colonizado o solo português? Existem evidências em Portugal de tradições atlantes, como o culto ao sol.
Heródoto, o grande historiador grego que também viveu no séc. V a.C., relaciona os Tartessos, aqueles com quem os fenícios fizeram uma aliança para navegarem o atlântico, com a Atlântida e fala de uns povos chamados Atarantes ou Atlantes.
Tartesso era o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente. Estes habitaram, principalmente, a região que hoje fica nos territórios de Portugal e Espanha. A sua forma de governo era a monarquia, e possuíam leis escritas em tábuas de bronze. Dizem que sua civilização era dedicada ao comércio, a metalurgia e a pesca. Os Tartessos teriam sido os primeiros e principais propulsores da domesticação da vinha e posterior a introdução do vinho na região do Alentejo. A chegada dos fenícios pode ter estimulado sua expansão para as terras e cidades ao redor e a intensificação da exportação das minas de cobre e prata, convertendo-se nos principais provedores de bronze e prata do Mediterrâneo. Porém, a demanda obstinada por novas fontes de minérios fizeram os Fenícios navegarem pelos estuários dos rios Guadiana, Sado e Tejo e apoderaram-se, lentamente, dos interesses comerciais dos tartessos, condenando a civilização tartessa a um longo declínio.
Posteriormente, o local foi dominado pelos cartagineses, que também enviaram expedições ao atlântico. Outrossim, os gregos, tem sua presença na região denunciada pelas centenas de ânforas catalogadas nos achados arqueológicos do sul de Portugal. Estes sucederam aos fenícios no comércio e a exploração dos vinhos do Alentejo. Mas, foi com os romanos, profundamente letrados nas principais técnicas agrárias, que se generalizou a cultura da vinha no Alentejo.
“Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.” (1 Timóteo 2:4)
Continua…
Leia também os textos anteriores:



Bibliografia:
Documentário: As cidades perdidas de Yonaguni



The Lost Continent of Mu: Motherland of Man – James Churchward
Os fundamentos da Geografia da Natureza – Ross, Jurandyr Luciano Sanches.
Geografia do Brasil – Jurandyr Luciano Sanches Ross, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Francisco Capuano Scarlato, José Bueno Conti e Sueli Angelo.
Origem e evolução – Embrapa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_de_gargalo
https://www.vinhosdoalentejo.pt/pt/vinhos/historia-dos-vinhos/
https://super.abril.com.br/historia/circulos-semelhantes-a-stonehenge-sao-encontrados-no-acre/
Índios Tupi-Guarani na pré-história: suas invasões do Brasil e do Paraguay – Moacyr Soares Pereira
“História Misteriosa de Portugal” de Victor Mendanha, Edições Pergaminho, Lisboa.
“A viagem do Descobrimento” Eduardo Bueno, Editora Objetiva, Rio de Janeiro.
“Teoria Nova da Antiguidade” de Sampaio Bruno, Editora Minerva, Lisboa.
“História Misteriosa de Portugal”de Victor Mendanha, Editora Pergaminho , Lisboa.
“História Secreta de Portugal”de Antonio Telmo, Editora Vega, Lisboa.
Curso Tradição Primordial – Rosacruz AMORC
Revista “O Rosacruz” 3 trimestre – 2000
Revista “O Rosacruz” – 1 trimestre – 2000
O continente perdido do Pacífico – AMORC

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