SÉRIE | História do Brasil — o mito fundador da nação (2)









O NOME BRASIL
O estudo da toponímia (a origem dos nomes dos lugares) pode revelar tesouros que, às vezes, permanecem imersos por décadas a fio antes de serem descobertos.


A escola ensinou-nos que o nome Brasil vem do pau-brasil (guara-pytã chamado pelos índios ybyrá-pitanga), árvore vermelha abundante nessas terras em 1500. Porém, o “Brazil” é muito mais antigo, pois ele já aparece nos mapas e cartas da idade média, conhecido há muito, graças à herança documental e cartográfica dos antigos navegadores fenícios e árabes que passaria para a Marinha Templária e depois para a Escola Náutica de Sagres ligada à Ordem de Cristo através do Infante D. Henrique, seu Administrador Geral.

Os cartógrafos medievais destacam nas suas cartas náuticas o nome da terra Brasil, como é o caso da Carta de Pizigano, de 1367, do Atla de Andrea Bianco, de 1436, ou da Carta de Bartolomeu Pareto, 1455. Por seu turno, aquando da viagem à Índia do almirante Vasco da Gama, em 1498, ele navegou para Ocidente e ancorou defronte à terra firme e larga, que os historiadores consideram hoje ter sido o Brasil, antes de retomar a marcha para Oriente. Já antes, em 1487 e 1488, Pedro Vaz da Cunha, o “Bizagudo”, e João Fernandes de Andrade navegaram do Golfo da Guiné para o Brasil.



A ILHA E A MADEIRA

Os fenícios comercializavam o cinábrio, nome popular do sulfureto de mercúrio, um mineral de cor vermelha brilhante utilizado como base para corantes e para o vermelhão usado em pintura corporal, que era extraído de um mineral pelos celtas. Os gregos teriam substituído os fenícios no comércio deste produto, ao qual chamavam de kinnabar, em latim cinnabar, em português, cinábrio. Devido à inversão de sílabas em idiomas celtas, a palavra kinnabar era pronunciada barkino, que daria lugar a barcino, um adjetivo relativo a animais de pelo avermelhado e passou a nomear a cor vermelha em vários idiomas de influência celta.
A palavra gaélica irlandesa equivalente é breazáil, ou simplesmente brazil, que depois aparece em castelhano como barcino ou bracino e em português como varzino ou brazino como designação dada à cor dos bovinos avermelhados. Em geral, estes vocábulos têm o significado geral de vermelho. Porém, no gaélico irlandês, a palavra sobreviveu até ao século XVIII.


A ligação entre o cinábrio e uma ilha mítica Celta para além do horizonte irlandês parece resultar dos contatos comerciais estabelecidos entre fenícios, gregos e celtas a partir do século VI a.C., através dos quais os celtas importavam brazil, ou seja o vermelhão, através de mercadores que vinham por mar desde terras distantes. Por essa época, o celtismo brakino e o ítalo-celta verzino suplantaram respectivamente o grego kínnabar e o germânico zinnober, todos com sentido afim, como nome daquele mineral.

A primeira referência documental surge num tratado comercial de 1193 entre o Duque de Ferrara, na Itália, e um vizinho, que inclui “grana de Brasil” em uma lista de produtos que também contém incenso e índigo. A expressão “grão de Brasil” se repete em uma carta do mesmo país cinco anos mais tarde.

Em gaélico O’Brazil é o celta Hy Breasil, que significa descendentes do vermelho, ou os do vermelho, onde o “s” é igual ao “z” (de onde Hy Breazil), do celta breasilbreazil para vermelho. Ressalte-se que o “s” do celta breasil só foi transliterado pelo “s” latino por manifesto erro de interpretação gráfica.
Neste contexto o vocábulo O’Brazilos do vermelho, passou a constituir uma referência aos gregos e fenícios, os quais ao deixaram de comerciar o cinábrio com os celtas como que desaparecendo nas brumas do Atlântico, tornando-se um povo mítico e afortunado, que nunca voltou à Irlanda, porque vivia feliz na misteriosa e paradisíaca ilha do Brazil.


Segundo a lenda Irlandesa, a lha de Hy Brazil era uma região envolta por névoa impenetrável, que só se tornaria visível em um dia a cada sete anos. Um lugar mitológico, mágico, sagrado, considerado a morada de fadas e divindades, onde as pessoas viviam felizes. O nome, foi inspirado em um semideus, Breasal, o alto Rei do mundo, este era o chefe dos guerreiros e, quando morreu, sua pira funerária (Barc Breasail) foi deixada à deriva no Oceano e o carregou até a ilha Hy Breasail, imaginada como uma terra de prazer perpétuo e festejos, análoga aos Campos Elísios da mitologia grega, onde Breasal reina sobre os mortos privilegiados, os heróis que perderam a vida em batalha. Os sobrenomes Brassil, Brazier, Brazil e Brazzill são comuns até hoje na Irlanda.

No século 7, São Brandão, um monge irlandês, saiu da Irlanda em busca da ilha. Os relatos da sua viagem estão hoje na biblioteca do Trinity College e estudiosos acreditam que ele possa ter chegado na América.


Um manuscrito, de 1636, narra a história do capitão Rich e seus marinheiros que teriam avistado uma ilha a oeste do litoral, com cais e promontório, antes de ela sumir na névoa. Ainda, em 1675, o livro O’Brazile (A Ilha Encantada) que narra a história do descobrimento da Hy Brasil se tornou best-seller na Inglaterra.

Em 1500, o Brasil como lugar mítico já estava presente no vocabulário dos povos do ocidente europeu há muitos séculos. Eduardo Bueno, em sua obra “A viagem do descobrimento”, diz que o nome Brazil vem do celta bress, que deu origem ao verbo inglês to bless (abençoar). Assim, Hy Brazil significaria “terra abençoada”.
Do germânico: brasa;

Do celta BRAS ou BRES –  “nobre, afortunado, feliz, encantado”;
No inglês BLESS que significa “bênção”;
No sânscrito BRAHMA, da raiz BRITH (antes, Brâh, donde Brâ, Brî e Brith), “expandir, irradiar, brilhar”, com o sentido de “Deus, Bênção, Suma Ventura”.
Hy = Ilha;

Sendo, por tanto, Hy Brazil – “Terra dos Bem-Aventurados”,“Ilha da Felicidade”, “Terra Prometida” “Ilha abençoada”e “Terra afortunada”.
Origem hebraica
Sabemos da origem semítica dos primeiros colonos procedentes de Portugal que se instalaram no Brasil. Não foram poucos os cristãos-novos que aqui chegaram fugindo da Inquisição. Para eles essas terras surgiram como uma tábua de salvação. Longe das perseguições que sofriam na Europa, o Brasil parecia-lhes como um milagre, uma nova Canaã ou a misteriosa “Hy-Brazil”. Não necessariamente, a origem hebraica se deva a isso, existem lendas muito antigas que trazem diversas outras possibilidades.
Sabe-se que na frota de Cabral, viajaram como conselheiros especialistas aos menos dois judeus, sendo a própria família de Cabral cristã nova. Além disso, logo após o descobrimento, o Brasil foi arrendado por Fernando de Noronha e os navios portugueses passaram a levar enormes carregamentos de pau-brasil (chamado de “madeira judaica”). Pau-ferro era outro nome pelo qual a árvore era aludida, fazendo referência ao metal que enferruja gerando a cor mencionada que lhe é característica; reforça-se a tese da origem hebraica, língua na qual ferro é barzel.
O nome “Brasil” seria derivado do vocábulo hebraico “barzel” (que significa ferro), o hebraico é não vocalizado e as duas palavras possuem as mesmas consoantes  (BRZL). Segundo a pesquisadora e professora da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Jane Glasman, “BRZL” é o acróstico dos nomes das quatro esposas de Jacó – Bila, Rachel, Zilpa e Lea, mães das 12 tribos de Israel. Assim, o termo representa todo Israel. As 4 mães representam os 4 lados do Tabernáculo e as posições em que as tribos acampavam ao seu redor identificam sua localização no futuro. Já as vogais A e I podem ser declinadas da escrita original e, se incluído o I (iud) teríamos no acrônimo a inicial de Jacó (Iaacov, em hebraico).


Ainda segundo a pesquisadora, a palavra Barzel pode ser entendida como Mistério do Coração. As duas letras mediais RZ formam a palavra raz, que significa mistério, segredo, e as outras duas, LB, formam Lev, coração.

A gematria de Lev é 32: são os 32 caminhos da sabedoria do coração. 26 é o número atômico do Ferro – que é igual ao valor numérico do Tetragrama, YHVH. A gematria é conhecida como “numerologia judaica”. É o método hermenêutico de análise das palavras bíblicas em hebraico, atribuindo um valor numérico definido a cada letra.


A tradição judaica fala do corpo de Adão ser feito a partir da argila vermelha (rica em ferro) e seu nome está ligado ao conceito de dam (sangue), que contém ferro. Essa comparação fora feita pelo rabino Isaac Aboab da Fonseca, primeiro religioso de origem judaica a chegar ao Brasil e à América, em 1642, durante a ocupação holandesa.

A bandeira brasileira forma a estrela de Davi ou o selo de Salomão. Dizem ser a única a formar tal símbolo. Para verificar, basta “recortar” o losango amarelo no meio na vertical e sobrepor as partes, como todo losango irá formar a estrela de seis pontas. Tendo em vista que a nossa bandeira foi desenhada pela Imperatriz Leopoldina, o que será que ela sabia que a história oficial não nos contou?
Por fim, é no mínimo suspeito – devido o forte envolvimento religioso presente no descobrimento do Brasil, uma vez que quem atracou em Porto Seguro foi a Ordem de Cristo tendo Cabral como seu Grão-mestre – que os portugueses permitissem a mudança de “Terra de Santa Cruz” para o nome de uma mercadoria “pau-brasil”. Afirmar tal coisa é também desconhecimento do que era o povo português, forjado no seio templário, e o que o movia esse povo para além-mar: a esperança, a busca da terra promediada, “um novo céu, uma nova terra”. Disso iremos tratar em capítulos próximos.
Descobrimento em 1300
Cada vez mais, geógrafos e historiadores nos dizem que não existe, na verdade, exatamente uma primeira descoberta da América, assim como não houve uma descoberta da Europa, Ásia ou qualquer outro continente. Sempre tribos humanas estiveram em movimento sobre toda a face da terra e as Américas não teriam sido uma exceção desse impulso irrequieto de migração humana. Refugiados nórdicos patrulharam a costa leste; comerciantes chineses a oeste, além dos fenícios e seus “convidados” e outros povos que deixam memoriais em cidades desertas em ruínas nos Andes.


O primeiro registro de uma Ilha chamada Brasil foi na data de 1325 e consta da carta do genovês Angel Dalorto que a situa a oeste da costa sul da Irlanda. Também aparece num mapa da Catalunha, de 1325-1330, no mapa de Dulcert de 1339, no mapa dos irmãos Pizagani de 1375-1378, no mapa do cartógrafo veneziano Andrea Bianco de 1436.

Existe uma carta, nos arquivos do Vaticano, de 12 de fevereiro de 1343, escrita por D. Afonso IV, filho D. Dinis, ao Papa Clemente VI, em que o Rei certifica ao Papa de terras magnificas habitadas por homens nus e opulentas em árvores de tinta vermelha:

“Diremos reverentemente a Vossa Santidade, que os nossos naturais foram os primeiros que acharam as mencionadas ilhas do Ocidente […] Dirigimos para ali os olhos do nosso entendimento, e desejando pôr em execução o nosso intento, mandamos para lá as nossas gentes e algumas naus para explorarem a qualidade da terra, as quais abordando as ditas ilhas, se apoderaram, por força, de homens, animais e outras coisas e os trouxeram com grande prazer aos nossos reinos”, diz o texto. 

D. Afonso IV organizou várias expedições. Consta nos escritos do Jesuíta Manuel Fialho, o capitão-de-mar de Sancho Brandão, anteriormente da marinha de guerra da Ordem do Templo (transformada em Ordem de Cristo) que teria chegado de uma expedição de reconhecimento à “Ilha perdida do Mar do Ocidente” além das Canárias. Uma terra magnífica, opulenta em árvores de tinta vermelha. Dizem que por conta disso D. Afonso IV teria batizado a terra com o nome de Ilha de Brandam.

No conto “Conto do Padre da Freira”, de Canterbury de Geoffrey Chaucer (de 1386), aparece “Brasil de Portugal“:
“Mas, verdade, se não fosse clérigo, eu juro, 
Seria um comedor de galinhas dos bons! 
Pois se tivesse desejo, como podia ter tido, 
E quisesse galinhas, seria fácil encontrá-las, 
E muito mais que sete vezes dezessete 
Vejam os músculos deste nobre sacerdote, 
Que forte nuca e que esplêndido tórax! 
Ele tem um fogo de gavião feroz nos olhos; 
E decerto não tem necessidade de tingir 
Suas bochechas com brasil de Portugal.”
Consta que em janeiro de 1862, a revista inglesa Notes and Queries divulgou uma nota intitulada “América Antes de Colombo?”.
O articulista Bolton Corney comentava provas ditas documentais sobre a existência do comércio de pau-brasil (Brazil wood) desde 1279, no porto de Londres.  
Continua…

Bibliografia:
Canal do Youtube “Histórias Secretas” (https://www.youtube.com/watch?v=sB50pARuLPM&list=PL6wgHuVJlmABevFCISuT74QWRKJRTLEfl&index=3)

Presença judaica na toponímia brasileira: Brasil, origem e mistérios – Jane Bichmarcher de Glasman
O Grande Amazonas – Mitologia, história e Sociologia, Mendonça de Souza
A recepção da antiguidade nas inscripções e tradições da América Prehistórica de Bernardo de Azevedo da Silva Ramos – Tese de Doutorado de Guilherme Dias da Silva
Geografia do Brasil – Jurandyr Luciano Sanches Ross, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Francisco Capuano Scarlato, José Bueno Conti e Sueli Angelo.
Origem e evolução – Embrapa
https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_de_gargalo
Diários da descoberta da América – Cristóvão Colombo
http://shemaysrael.com/as-dez-tribos-perdidas/
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/639640/jewish/Equador.htm
https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Java%C3%A9
Índios Tupi-Guarani na pré-história: suas invasões do Brasil e do Paraguay – Moacyr Soares Pereira
Conquista Espiritual feita pelos religiosos da Companhia de Jesus nas Províncias do Paraguai, Paraná, Uruguai e Tape. – Pe. Antônio Ruiz de Montoya
Índios e Jesuitas no tempo das Missões – Maxime Haubert
História do Brasil – 3. Francisco Adolfo de Varnhagen, 
A cidade de Salvador – Aspectos seculares – Alberto Silva
CASCUDO, Câmara Luís da. Mande in África – Pesquisas e Notas. 5ª ed. São Paulo, Global, 2001.
CASTELO BRANCO, R. Pré-História Brasileira: Fatos e Lendas, s.1. 1971, p. 117.
MURALT, Malou von. A árvore que se tornou país. Rev. USP  n.71 São Paulo nov. 2006.
ROTH, Cecil (ed.) Enciclopédia Judaica. Rio de Janeiro. Tradição, 1967.
SCHWENNHAGEN, Ludwig. Antiga História do Brasil. De 1100 a.C. a 1500 d.C.. Quarta edição. Apresentação e notas de Moacir C. Lopes. Livraria Editora Cátedra, Rio de Janeiro 1986, pp. 39-43.
“A viagem do Descobrimento” Eduardo Bueno, Editora Objetiva, Rio de Janeiro.

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