ENEM - Clero Secular versus Clero Regular – Idade Média


Clero Secular versus Clero Regular – Idade Média


O clero secular estava organizado em párocos, bispos e arcebispos e a sua função era desempenhada juntamente com a população local, ajudando na defesa das cidades e na conversão dos povos germânicos.
O clero regular estava organizado em monges, abades, abadessas, frades e freiras que viviam em mosteiros. Os monges beneditinos obedeciam à Regra de S. Bento, tendo por lema ora et labora que significa reza e trabalha.
Leonardo Correia, 8º A


Clero
O Clero era constituído por membros da Igreja Católica. Exerciam grande influência, poder e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Todos os que compunham essa categoria eram isentos do pagamento de impostos, arrecadavam o dízimo dos fiéis e detinham grande parcela de conhecimento, transcrevendo manuscritos, livros sagrados e perpetuando ensinamentos aos futuros religiosos. 

Subdividia-se em :
 
  • Alto Clero - membros da nobreza feudal (papa, bispo, abade);
  • Baixo Clero – membros não ligados à nobreza que provinham do povo (pároco, padre, vigário);
  • Clero Secular – membros em contato com os fiéis no cotidiano;
  • Clero Regular – membros de mosteiros, isolados do mundo (beneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos).
monkefa.jpgAlguns dos privilégios de que o clero gozava incluíam: receber grandes doações de terras e outros bens, exercer cargos administrativos, não pagar impostos, tinham seus próprios tribunais e dedicavam-se à cultura e ao saber. Além do grande prestígio perante a população, acolhiam e prestavam assistência aos doentes e aos mais pobres.
 
Papel da Igreja Católica na Idade Média

Reconhecida como a principal instituição medieval, a Igreja Católica exercia uma função decisiva em todos setores sociais. Legitimava a dominação política e as manifestações culturais, auxiliava nas questões econômicas, e cumpria papel fundamental na coesão social. 

Papa era o integrante de maior hierarquia eclesiástica na Igreja. Era quem dominava e tinha autoridade para interferir e exercer dois tipos de poderes: Oespiritual (ligados às questões religiosas) e o temporal (relacionado ao poderio de grandes extensões de terra). O poder temporal envolveu a Igreja em assuntos de ordem política como a Querela das Investiduras (disputa entre o poder monárquico, dos reis, e o clerical).

Alguns fatores como a corrupção eclesiástica e a queda de virtudes morais do clero, como a venda de bens religiosos e indulgências (pagamento financeiro por alguma graça ou perdão dos pecados), fez com que houvesse um afastamento entre a Igreja e seu principal ideal.

Nos séculos X e XI, a Igreja se renovou com a criação de novas ordens religiosas e militares.

  • Ordem de Cluny – Defendia a criação de um processo de reformas que dessem maior autonomia à Igreja. Tinha por objetivo seguir as regras da Ordem Beneditina, ou seja: castidade, pobreza, caridade, obediência, oração e trabalho. O Cesaropapismo, prática de subordinação dos clérigos aos reis, começou a sofrer intensa oposição pelos integrantes desta ordem. Desde a sua criação no século X, valorizava a oração e as práticas litúrgicas, prezando pela dignidade e esplendor delas.
  • Ordem de Cister – Criada no século XI, valorizava o trabalho manual e o cultivo da terra. Seus membros eram contrários ao luxo e às formas de ostentação.
  • Ordem dos Templários – Fundada em 1119 por Hugo de Payens, tinha por objetivo defender a Terra Santa dos ataques Muçulmanos.
  • Ordem dos Hospitalários – Fundada em Jerusalém no ano de 1080, era constituída por integrantes da nobreza.
Outros movimentos reformistas, como a Ordem dos Franciscanos e dos Dominicanos, surgem para pregar a pobreza absoluta e a vivência da caridade.

dreamstimefree_1058943aNo ano de 1058, o Colégio dos Cardeais é criado pelo Papa Nicolau II com a finalidade de promover a eleição de novos papas. Em 1073, Gregório VII, integrante da Ordem Cluny, foi eleito para comandar a Igreja Católica. Além de reafirmar o voto de castidade, Gregório VII proibiu que qualquer autoridade monárquica concedesse alguma espécie de cargo religioso.

Em contrapartida, Henrique IV, rei do Sacro – Império, convocou os bispos que estivessem sob seu domínio político, para anular as ações de Gregório VII. O Papa, se reiterando dos planos do rei germânico, ordenou que este fosse excomungado, livrando os bispos de seu poderio. 

Para conseguir o perdão do Papa, Henrique IV permaneceu três dias e três noites rezando na neve. Após ser perdoado, o rei organizou tropas militares com a missão de derrubar Gregório VII. Então, percebendo que sua posição estava desfavorável, o Papa resolve se exilar ma França. Após uma série de conflitos travados entre tropas papais e germânicas, foi assinado um tratado de paz chamado Concordata de Worms. Ficava estabelecido pelo acordo, os limites eclesiásticos e reais. A partir disso, somente o líder religioso teria o direito de conceder qualquer espécie de cargo religioso.

Inquisição

Uma outra medida adotada pela Igreja, que conquistou uma extensa propagação, foi a Inquisição. Entre inúmeras reformas, a perda da autoridade moral da instituição propiciou o nascimento de diversas doutrinas, crenças e superstições que eram enquadradas como heresias, pois contrariavam os dogmas católicos.

Com a proposta de combater e destruir os movimentos heréticos da época, em 1231 o Papa Gregório IX cria osTribunais de Inquisição. Conhecida popularmente como “Caça às Bruxas”, esta  tinha por missão julgar e condenar os considerados hereges, ou seja, todos os que oferecessem ameaça ao Cristianismo. Não havia critérios para se denunciar uma pessoa ao tribunal.

Eram considerados hereges: mulheres suspeitas de praticar bruxaria, por possuírem algum "poder mágico" de curandeirismo; pessoas com deformações físicas, e as que cultuassem as religiões pagãs ou que simplesmente fossem contra aos ideais da Igreja Católica. Os informantes que efetuassem as denúncias recebiam uma gratificação financeira; a cada condenação efetivada, receberia uma quantia paga pelo Tribunal. 

Os condenados eram entregues às autoridades administrativas do Estado, incumbidas do papel de executar a sentença. Para conseguir provas, o Tribunal procurava alguns indícios como marcas, verrugas ou sardas pelo corpo que representassem alguma aliança demoníaca. A tortura era muito utilizada para conseguir 
confissões; imersão em água quente, furar língua, perfurar o corpo com agulhas, surras, estupros e mutilação.

dreamstimefree_132213aCaso a pessoa insistisse na inocência, era queimada viva. Do contrário, era sufocada para depois ser queimada na fogueira em praça pública. Na Alemanha e na França, eram utilizadas madeiras verdes para se prolongar o sofrimento das pessoas.

A última fogueira foi acesa no ano de 1782, no século XVII na Suíça, onde a caça às bruxas terminou. Já a existência do Tribunal de Inquisição se perdurou até o século XX. Estima-se que nove milhões de pessoas foram incriminadas e condenadas à morte, sendo 80% do sexo feminino e crianças.


http://idade-media.info/mos/view/Clero/



Postar um comentário

0 Comentários