G1 - Discussão de trânsito entre guarda-civil e PM acaba em tiroteio e deixa motorista ferido e carros baleados em SP.

 

Caso ocorreu no sábado (26) na Zona Norte da capital. GCM e policial militar não foram atingidos pelos disparos, mas acabaram responsabilizados pelos crimes de lesão corporal e disparo de arma de fogo. PM ainda foi autuado por embriaguez ao volante.

 

Por Kleber Tomaz e Abrahão de Oliveira, G1 SP e TV Globo

 

 

Uma discussão de trânsito entre um guarda-civil metropolitano e um policial militar, que estavam de folga e à paisana, terminou em agressões e troca de tiros entre os agentes de segurança, na noite do último sábado (26), na Zona Norte de São Paulo.  

A briga deixou ainda um motorista ferido pelos estilhaços dos disparos, dois carros baleados e clientes assustados em uma lanchonete na Avenida Fiorelli Peccicacco, em Perus. Um vídeo gravado por testemunhas, e que circula nas redes sociais, mostra parte da confusão (veja acima).

Os agentes de segurança não foram atingidos pelos disparos, mas acabaram levados para uma delegacia onde foram autuados pelos crimes de disparo de arma de fogo e lesão corporal. Depois foram liberados (leia mais abaixo).

 

Na filmagem é possível ver o agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) em pé, em frente a um carro vermelho estacionado na via, apontando a arma para o cabo da Polícia Militar (PM), que também está armado, mas abaixado atrás do veículo.

Nas cenas, o guarda-civil ameaça atirar no policial se ele não largar a pistola. “Joga na calçada!”, grita o guarda-civil para o policial militar exigindo que ele solte a arma que segurava. “Eu sou polícia. Eu sou polícia”, responde o PM para o GCM.

 
 
 
“Joga na calçada, vai morrer!”, repete o guarda, ameaçando matar o policial que volta a dizer: “eu sou polícia”.

Clientes que assistem à cena de um estabelecimento comercial em frente ficam apavoradas. Na filmagem é possível ouvir um homem pedindo para os agentes largarem as armas.

“Ê, velhinho, só joga a arma, parça. Não chapa não. Ê... velhinho, solta essa arma. Não atira não!”, pede o rapaz.

A gravação termina quando uma mulher diz que “tá tendo tiroteio”.

15 tiros

Carro foi atingido por 16 disparos, alguns no parabrisa, durante troca de tiros entre GCM e PM, segundo proprietária do veículo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Carro foi atingido por 16 disparos, alguns no parabrisa, durante troca de tiros entre GCM e PM, segundo proprietária do veículo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Segundo a Polícia Civil, os dois agentes de segurança atiraram 15 vezes. Foram encontradas dez munições de uma arma calibre 380 e cinco de outra, .40.

O Chevrolet Celta vermelho que aparece nas imagens teve ao menos 16 perfurações no para-brisa, no teto, painel e nos bancos. Outro automóvel que aparece no vídeo, um Toyota Hilux branco, foi atingido por três tiros no capô, na lanterna e na lateral.

O G1 não conseguiu localizar o PM, o GCM e o motorista ferido para comentarem o assunto. Também não encontrou os donos dos veículos para falar do caso.

Registro do caso

O caso foi registrado no 33º Distrito Policial (DP), em Pirituba. De acordo com o boletim de ocorrência, a confusão começou porque o policial militar bateu seu Fiat Siena no carro do amigo do guarda-civil, um Honda Civic.

Ninguém ficou ferido na colisão, mas a batida provocou uma discussão entre os ocupantes do Honda e o policial militar. Segundo a delegacia, os dois agentes de segurança envolvidos não usavam uniformes e não sabiam a identidade profissional um do outro quando começaram o bate-boca e a troca de tiros.

Ainda de acordo com o registro policial, um dos agentes sacou a arma e o outro também, começando um tiroteio. O amigo do GCM, um motorista de 36 anos, teve ferimentos na perna direita “supostamente provocados por estilhaços” dos tiros.      


GCM e PM de folga apontam armas um para o outro em SP

 

 

Um dos episódios foi registrado em vídeo que viralizou nas redes sociais em 25 de agosto, após bate-boca entre agentes armados na Zona Leste (veja acima). O outro ocorrido, também na Zona Oeste, foi parar na delegacia por suspeita de "abuso de autoridade" e ofensas entre membros das Polícias Civil e Militar.

Para tentar evitar que mais confrontos ocorram entre agentes, a Secretaria da Segurança criou em setembro o primeiro protocolo de abordagem entre policiais de São Paulo no estado, permitindo, entre outras coisas, revistar e apreender as armas dos agentes que não portarem a identificação funcional.

 

 

 

 



Postar um comentário

0 Comentários