Os pensadores iluministas se relacionam com a ordem existente por meio do exame minucioso da crítica. As formulações de Jean-Jacques Rousseau encarnam o impasse desse procedimento, pois:

 

 


Questão 1 - Os pensadores iluministas se relacionam com a ordem existente por meio do exame minucioso da crítica. As formulações de Jean-Jacques Rousseau encarnam o impasse desse procedimento, pois:

A A oposição crescente entre moral e política exigia que o conflito fosse transferido para o próprio campo da política.

B O filósofo defendia que a Filosofia política deveria se limitar à crítica ao despotismo.

C O filósofo julgava que o governante não deveria legislar sobre o foro privado dos cidadãos.

D O absolutismo se extinguiria de forma apolítica.

E A atuação do governante sobre a opinião pública não é um meio adequado para estabelecer uma identidade entre convicção e ação.

A ALTERNATIVA A ESTÁ CORRETA.

Com Rousseau, o campo da moral já havia crescido de tal forma que seria preciso que a oposição entre moral e política fosse transferida para o próprio campo da política. Em outras palavras, ao diagnóstico iluminista do progresso infinito parecia cada vez mais se impor uma decisão política, considerando o crescente desacordo entre os juízos morais e a estrutura do Estado.

Questão 2 - Segundo Immanuel Kant, os princípios éticos não devem apenas reger as relações entre indivíduos, mas também ser espelhados nas relações entre diferentes Estados-nações. Entre pessoas, isso significaria que ninguém pode se utilizar do outro como meio para um fim, ou seja, como caminho para atingir seus objetivos.

Essa relação ética espelhada no âmbito internacional implicaria que tipo de relação ideal entre países?

A Guerra de todos contra todos.

B Paz perpétua entre os Estados-nações.

C Alianças entre países com afinidades históricas e culturais.

D Formação de blocos com laços geográficos.

E Relações econômicas livres, mas suspeitas militares.

A ALTERNATIVA B ESTÁ CORRETA.

Apenas a paz perpétua pode ser tomada como ideal de relação internacional, pois é a única situação em que nenhum Estado-nação procuraria se sobrepor aos outros e explorá-los para seus benefícios, independentemente dos interesses do país explorado.

4. CONCLUSÃO

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Revisitamos os principais conceitos construídos ao longo da modernidade a partir dos inúmeros eventos que compõem esse período. A partir do Renascimento, é possível identificar uma série de formas e valores políticos que ainda tem relevância na organização sociopolítica atual.

Vimos, sobretudo, como o surgimento da noção de indivíduo e o descolamento das questões políticas do âmbito teológico estão atrelados à emergência das cidades-Estados. Com a emergência dos Estados

Nacionais, coloca-se, também, o problema da legitimidade política a partir do contrato social.

Por fim, vimos como o pensamento iluminista, diante da democratização crescente da política (de maior participação popular), acabou tendo de repensar o que se entendia por liberdade, sociedade civil e até a finalidade dos governos. Foi possível investigar a formação histórica de ideias tão importantes como individualidade, soberania e liberdade política. Isso significa investigar não apenas a história do conceito, mas a relação do conceito com o contexto em que surgiu.

RESUMO:

O Iluminismo, surgido nos séculos XVII e XVIII, está intrinsecamente ligado às grandes revoluções políticas que fundamentaram as democracias modernas: a Inglesa, a Americana e a Francesa. Estimulados pelos avanços científicos do início da modernidade, os pensadores iluministas utilizaram a razão crítica como ferramenta para examinar e reestruturar o mundo social e político. Esse período consolidou teorias de governo baseadas no consentimento dos governados, articulou os ideais de liberdade e igualdade com propostas de realização institucional e estabeleceu uma lista de direitos humanos individuais básicos, além de defender a tolerância religiosa e o sistema de freios e contrapesos nos poderes políticos.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) encarnou o impasse da filosofia política iluminista sobre como a razão crítica poderia substituir a velha ordem por uma nova autoridade sem cair na insegurança e crise. Ao diagnóstico do progresso moral infinito, Rousseau impôs a necessidade de uma decisão política para resolver o crescente desacordo entre os juízos morais e a estrutura do Estado. Em O Contrato Social (1762), propôs a reconciliação entre autoridade e liberdade através da submissão de todos à "vontade geral" emanada da totalidade da nação. Nesse arranjo, cabe ao líder, mais esclarecido sobre essa vontade, estatizar a censura moral e guiar permanentemente não só as ações, mas também as convicções e a opinião pública, estabelecendo uma identidade complexa entre moral e política através de meios como o terror e a ideologia.

Immanuel Kant (1724-1804), por sua vez, delimitou o campo da razão ao diferenciar o conhecimento (experiência mediada por conceitos) do pensamento (uso da razão para elaborar ideias sem referência à experiência), fornecendo princípios reguladores para a ética e a política, baseados na liberdade humana inata e no imperativo categórico que urge os indivíduos a assumirem a autoria de suas ações, tratando os seres humanos sempre como fins em si mesmos e nunca como meios. Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831) introduziu a História de maneira inédita na filosofia através da dialética — o desenvolvimento das coisas no tempo por negações sucessivas —, compreendendo os acontecimentos históricos como o motor para adequar o mundo social às aspirações de liberdade e igualdade, e distinguindo a sociedade civil (conjunto de relações de trocas recíprocas) do Estado (concretização formal das leis e estruturas burocráticas). Paralelamente, o Utilitarismo de Jeremy Bentham e John Stuart Mill propôs as Ciências Morais em analogia às Ciências Naturais, fundamentando a conduta humana no princípio da utilidade, que toma a busca pela felicidade e a minimização da dor como as causas últimas e fatos verificáveis da ação humana.


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