Questão 1 - Estudamos as virtudes em Santo
Tomás de Aquino e vimos o conteúdo da “prudência”, ou seja, a capacidade de
agir segundo a verdade. Qual dos exemplos a seguir não é uma atitude imprudente
para o Aquinate?
A DESCUMPRIR UMA ORDEM INJUSTA DA AUTORIDADE.
B Dirigir sem conhecer as leis do trânsito.
C Votar sem conhecer a prática dos candidatos
e sem verificar a exequibilidade de suas propostas.
D Preencher o Imposto de Renda sem ler o
regulamento.
E Responder a estas questões sem ler o
conteúdo ou a partir de ideias preconcebidas.
A ALTERNATIVA A ESTÁ
CORRETA.
A ordem injusta é aquela que não corresponde
à verdade e ao bem. Portanto, não pode ser objeto da virtude da prudência.
Questão 2 - Segundo Tomás de Aquino, a virtude cardeal da
“fortaleza” supõe o bem justo e verdadeiro e o conserva. Que atitude listada a
seguir corresponderia a um ato objetivo de covardia?
A Entregar a carteira ao ladrão armado.
B Não enfrentar a agressividade excessiva e
injusta da autoridade policial.
C Não responder a uma ofensa pessoal.
D Não fazer postagens nas redes sociais
contra as injustiças sociais.
E NÃO SACRIFICAR A VIDA PARA SALVAR ESPOSA E FILHOS.
A ALTERNATIVA E ESTÁ
CORRETA.
A fortaleza ou coragem não é audácia. Ela só
exige o martírio diante de um dever absoluto — neste caso, proteger a família
da morte com a própria vida, se necessário.
Essas questões exploram a aplicação
prática da ética tomista (de São Tomás de Aquino) em situações de conflito
moral, autoridade e dever. Aqui está a análise técnica das suas respostas,
conectando-as aos conceitos de Lei Natural e Virtudes Cardeais:
Questão 1: A Prudência e a Ordem
Injusta
Sua Resposta: A (Descumprir uma
ordem injusta da autoridade)
Análise: Para São Tomás de Aquino, a Prudência
(prudentia) é a "reta razão no agir". Ela não é uma obediência
cega a regras, mas a busca pelo Bem Verdadeiro.
O critério da Verdade: Uma ordem injusta, por definição, não é lei,
mas uma "perversão da lei". Como ela agride o Bem Comum ou a Lei
Eterna, a Prudência dita que não se deve segui-la.
Por que não é imprudência? Porque a Prudência exige discernimento. Obedecer
a algo injusto seria, na verdade, um vício (falsa prudência ou medo servil), e
não uma virtude.
As outras opções (B, C, D, E): Todas representam a negligência ou o agir
sem conhecimento da verdade (imprudência por omissão ou precipitação).
Questão 2: A Fortaleza e o Dever
Absoluto
Sua Resposta: E (Não sacrificar
a vida para salvar esposa e filhos)
Análise: A Fortaleza (ou Coragem) para o
Aquinate situa-se no meio-termo entre a covardia (falta) e a audácia temerária
(excesso).
O Martírio e o Dever: A Fortaleza atinge seu ápice no ato de
resistir ao maior dos medos: a morte. No entanto, ela só exige o sacrifício da
própria vida quando há um bem superior ou um dever de justiça em
jogo.
Por que a E é covardia? No pensamento tomista, a proteção da família
é um dever de justiça e caridade ordenado pela natureza. Fugir dessa
responsabilidade para preservar a própria vida quando se é o protetor natural
configura o vício da covardia.
As outras opções: Entregar a carteira (A) ou não responder a
ofensas (C) são atos de prudência ou paciência, pois não há um dever absoluto
de morrer por bens materiais ou pelo orgulho pessoal.
Conexão com seu contexto (PM RN e
Direito):
Esses temas são extremamente
relevantes para a sua atuação e estudos:
Direito de Resistência: A Questão 1 fundamenta a ideia de que o
agente público não deve cumprir ordens manifestamente ilegais ou injustas.
Fortaleza Profissional: A Questão 2 dialoga com o conceito de
"estrito cumprimento do dever legal" e o risco inerente à profissão,
onde a fortaleza é necessária para manter a ordem mesmo sob perigo.
Nota: Em suas anotações manuscritas, você citou a "Lei
8080 - SUS" e o "Modo de Produção Capitalista". São
Tomás de Aquino via a propriedade privada e a organização social como
ferramentas para o Bem Comum. Se um sistema ou lei falha em prover o bem
básico à saúde ou dignidade, a lógica tomista da "ordem injusta" pode
ser aplicada para justificar reformas e críticas sociais.







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