Questão 1 - O período
do Renascimento possui esse nome porque é geralmente considerado um momento em
que as fontes da tradição clássica greco-romana foram retomadas com novo vigor.
Qual é o elemento contextual que permite entender a renovação de olhar sobre
essa tradição?
A A
descoberta de novos textos, que mudaram completamente o olhar sobre a
Antiguidade.
B O
surgimento de grupos pagãos que procuravam restabelecer laços com o politeísmo
da Antiguidade Grecoromana.
C O
incentivo da Igreja Católica na tradução de textos de Filosofia clássica para
expandir seu horizonte de influência.
D A
tentativa de valorizar e construir um sentido de cultura europeia que
apresentasse a continuidade dos tempos da Antiguidade Greco-romana, passando
pela Era Medieval até o Renascimento.
E O CONTATO COM TEXTOS CLÁSSICOS EM UM AMBIENTE MULTICULTURAL
PROPICIADO PELAS CIDADES-ESTADOS DA REGIÃO DA ITÁLIA.
A ALTERNATIVA E
ESTÁ CORRETA.
Trata-se
do contato com os textos clássicos mediado por um ambiente multicultural que
acabava por diminuir a influência da cultura católica na recepção dos textos da
Antiguidade e que permitia que um novo olhar fosse construído com vistas a
novos problemas.
Questão
2 - É possível identificar a inovação do pensamento de Nicolau Maquiavel a
respeito do exercício do poder a partir do conceito de virtù. De acordo com
Maquiavel, um governante dotado de virtù é aquele que:
A É
sempre capaz de agir segundo a bondade e a ética para manter seu poder
político.
B Quer
ser amado pelos súditos em vez de temido.
C Foi
conduzido ao poder por meio de um arranjo suprapartidário que buscava pôr fim
às guerras religiosas.
D É
dotado de uma disposição flexível para manter seu poder político.
E É
cético em relação à nossa experiência da realidade.
A ALTERNATIVA D
ESTÁ CORRETA.
Para
Maquiavel, um governante dotado de virtù é alguém que se caracteriza por uma
“disposição flexível”, alguém capaz de modificar sua conduta para manter seu
Estado.
RESUMO:
O
Renascimento é caracterizado como um período fundamental de transição entre a
Era Medieval, dominada por uma visão de mundo teocêntrica, e o início da
modernidade, marcada pela valorização da razão, da ciência e do ser humano.
Estendendo-se aproximadamente de meados do século XIV ao início do século XVII,
com foco na Europa Mediterrânea (especialmente na região da atual Itália), este
período não foi apenas um intervalo, mas um momento crucial de transformações.
A Filosofia renascentista contribuiu significativamente ao resgatar o humanismo
da Antiguidade Clássica, permitindo novas reflexões sobre o indivíduo e o
governo de forma descolada dos dogmas religiosos, preparando o terreno para o
pensamento moderno.
Três
elementos contextuais foram essenciais para o desenvolvimento do Humanismo
renascentista, com destaque para as cidades-Estados italianas como Florença e
Veneza. Primeiramente, o fortalecimento desses centros urbanos comerciais, que
se tornaram potências políticas devido às suas riquezas. Em segundo lugar, o
caráter multicultural dessas cidades, que, como pontos centrais de rotas
comerciais no Mediterrâneo, propiciavam a circulação não apenas de bens, mas de
pessoas e ideias de diversas origens (católica, árabe, bizantina), diminuindo a
hegemonia do pensamento medieval católico. Por fim, esse ambiente multicultural
permitiu uma redescoberta da Antiguidade Clássica sob um novo olhar, não mais
subordinado aos valores da Igreja, buscando nos textos clássicos uma estratégia
para colocar o ser humano no centro da reflexão histórica e política.
O texto
destaca três figuras centrais que exemplificam a pluralidade do pensamento
renascentista. Michel de Montaigne (1533-1592) é apresentado como o criador do
ensaio literário e herdeiro do ceticismo grego, cuja filosofia focava na
análise da experiência e na sensibilidade às transformações do indivíduo, sem
se prender a doutrinas prévias. Étienne de La Boétie (1530-1563), amigo de
Montaigne, formulou o enigma da "servidão voluntária" em seu Discurso
sobre a servidão voluntária, tentando entender por que o povo abdica de sua
liberdade em favor de um ditador, uma análise que pressupõe a valorização da
liberdade inata do indivíduo, pilar do Humanismo. Por fim, Nicolau Maquiavel
(1469-1527) rompeu com a tradição ao separar a política da moral, defendendo
que a única preocupação do governante é a manutenção do Estado. Maquiavel
introduziu conceitos como virtù (a disposição flexível do governante
para adaptar sua conduta conforme as circunstâncias) e defendeu que a
autoridade se fundamenta na posse efetiva do poder e na capacidade de impor
medo, e não amor, aos súditos.







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