(Direito e sistemas normativos)
O Direito, a moral, a religião e a
política são sistemas normativos que regulam condutas humanas. Assinale a
alternativa correta:
A) O Direito é idêntico à religião.
B) O Direito é idêntico à política.
C) O Direito se distingue pela
coercibilidade.
D) O Direito não é sistema normativo.
E) O Direito é apenas convenção social.
✅ Resposta: C Justificativa: O Direito é
sistema normativo que se diferencia pela possibilidade de coerção estatal.
👉 10 QUESTÕES ESTÃO NO
ESTILO ESTÁCIO:
QUESTÃO 01 (Sistemas
Normativos / Coercibilidade) - Mariana, estudante de
Direito no campus da Estácio Natal, observou uma situação peculiar no
transporte público a caminho da faculdade. Um jovem de dezoito anos permaneceu
sentado no assento preferencial enquanto uma senhora idosa viajava de pé. Os
demais passageiros olharam com desaprovação e proferiram comentários
repreensivos, gerando um visível constrangimento moral ao jovem, que, mesmo
assim, não se levantou. Duas semanas depois, o mesmo jovem foi autuado e
multado por agentes de trânsito ao estacionar seu veículo em uma vaga reservada
a pessoas com deficiência, sem a devida credencial. Diante do exposto e
considerando a distinção entre os sistemas normativos da Moral e do Direito,
assinale a alternativa correta:
A) O constrangimento sofrido no ônibus
demonstra que a Moral possui coercibilidade idêntica à do Direito, pois ambas
aplicam sanções institucionais difusas.
B) A multa de trânsito
aplicada ao jovem exemplifica a coercibilidade do Direito, caracterizada pela
possibilidade de exigibilidade institucional e imposição de força pelo aparato
estatal.
C) O ato de ceder o assento no ônibus e
o ato de respeitar a vaga de trânsito pertencem exclusivamente ao sistema
normativo da Religião, cuja sanção é eminentemente terrena e imediata.
D) O Direito diferencia-se da Moral
unicamente pela sua finalidade, já que a Moral busca o bem comum por meio do
cumprimento forçado de deveres estatais.
E) A reprovação dos passageiros no
ônibus constitui uma sanção jurídica autônoma, dispensando a intervenção do
Estado para a garantia do cumprimento da norma social.
Alternativa Correta: B
Justificativa: O Direito se
diferencia dos demais sistemas normativos (como a Moral, a Religião e a
Política) pela sua coercibilidade, que é a possibilidade de exigir
institucionalmente o cumprimento da norma, utilizando, se necessário, a força e
o aparato burocrático do Estado (como a aplicação de uma multa). A reprovação
sofrida no ônibus foi uma sanção moral (social/difusa), desprovida de força
cogente estatal. As alternativas A, C, D e E erram ao confundir as sanções
difusas da moral com a força institucionalizada do Direito, ou ao distorcer as
finalidades da moral e da religião.
QUESTÃO 02 (Sistemas
Normativos / Modalidades Deónticas) - O ordenamento jurídico utiliza modalidades deónticas para guiar a conduta
dos cidadãos em sociedade, estruturando as normas em proibições, obrigações e
permissões. Considere que o Código de Trânsito Brasileiro determina
expressamente em seus artigos:
(I) a proibição de conduzir veículo sob o efeito de álcool;
(II) a obrigação de portar o documento de habilitação válido; e
(III) a permissão para que o condutor realize conversões à direita quando
a sinalização local assim autorizar.
Com base na teoria das modalidades do Direito e na normatividade
jurídica, assinale a opção que reflete a correta interpretação desses comandos:
A) As permissões jurídicas são conselhos
morais que o indivíduo pode optar por seguir ou não, sem que o Estado possa
interferir na esfera de sua liberdade de escolha.
B) A obrigação jurídica restringe a
conduta do indivíduo a uma única ação exigível, mas, diferentemente da
proibição, o seu descumprimento não gera sanções institucionais.
C) A proibição cria um dever de
abstenção cuja força normativa decorre da religiosidade coletiva, operando de
forma independente do monopólio da força estatal.
D) As modalidades de
permissão, obrigação e proibição compõem a estrutura normativa do Direito, e
todas partilham da característica da coercibilidade para a garantia da ordem
social.
E) O Direito regula as condutas humanas
exclusivamente por meio de proibições, sendo as obrigações e permissões
elementos exclusivos do sistema normativo político.
Alternativa Correta: D
Justificativa: As três
modalidades deónticas fundamentais do Direito (proibição, obrigação e
permissão) integram o ordenamento jurídico e estão respaldadas pela
coercibilidade. Mesmo a permissão confere ao indivíduo uma faculdade garantida
pelo Estado contra a interferência de terceiros. A alternativa A erra ao
rebaixar a permissão a conselho moral; a B erra ao dizer que a obrigação não
gera sanção; a C vincula o Direito à religiosidade; e a E nega a existência de
obrigações e permissões no Direito.
QUESTÃO 03 (Sistemas
Normativos / Direito e Religião) - Enunciado: Durante um debate
acadêmico na Estácio Natal sobre a evolução histórica dos sistemas normativos,
um estudante argumentou que, na antiguidade clássica, o Direito, a Moral e a
Religião caminhavam juntos e eram indistinguíveis na prática. Contudo, com a
modernidade e o advento do Estado Laico, ocorreu uma nítida diferenciação
teórica e prática entre esses sistemas. Para ilustrar essa separação na
atualidade, o professor citou o exemplo do dever de fidelidade recíproca no
casamento civil versus o pecado da infidelidade nas doutrinas religiosas. Com
base nos critérios de distinção entre Direito e Religião, assinale a
alternativa correta:
A) O Direito e a Religião diferenciam-se pelo fato de que a norma
jurídica busca a salvação da alma e o aperfeiçoamento interior do indivíduo,
enquanto a norma religiosa foca na harmonia social.
B) A norma religiosa possui coercibilidade estatal externa, permitindo
que líderes religiosos apliquem penalidades civis e restrições de liberdade aos
fiéis que cometem pecados.
C) Enquanto o descumprimento
de um dever religioso atrai uma sanção de foro íntimo ou transcendental
(espiritual), o descumprimento de uma obrigação jurídica enseja repercussões
civis garantidas pelo poder coercitivo do Estado.
D) A separação entre Direito e Religião impede que o legislador crie leis
que tenham qualquer ponto de contato ou inspiração em valores morais ou
históricos de matriz religiosa.
E) O sistema normativo da Política absorveu integralmente as funções da
Religião e do Direito, tornando obsoleta a distinção entre pecado e ilícito
jurídico na modernidade.
Alternativa
Correta: C
Justificativa: A grande
distinção reside na heteronomia e na coercibilidade do Direito face à autonomia
(ou sanção estritamente espiritual/transcendental) da Religião. Se alguém
descumpre uma norma civil, sofre as sanções do ordenamento estatal (perda de
bens, divórcio com repercussões patrimoniais, etc.). O descumprimento religioso
gera sanções na esfera da fé do indivíduo. A alternativa A inverte os
conceitos; a B confere poder estatal à religião; a D nega a influência
histórica da religião nas leis; e a E ignora a autonomia atual dos sistemas.
QUESTÃO
04 (Teoria do Mínimo Ético) - O
jurista Georg Jellinek formulou a famosa "Teoria do Mínimo Ético",
amplamente utilizada nas aulas de Introdução ao Estudo do Direito para explicar
as complexas relações de interdependência e distinção entre o Direito e a
Moral. Imagine que o parlamento de um determinado país decida editar uma lei
que criminaliza o ato de mentir em qualquer situação da vida cotidiana,
inclusive em conversas familiares cotidianas. Aplicando os conceitos
fundamentais da Teoria do Mínimo Ético à situação hipotética narrada, assinale
a alternativa que descreve a correta avaliação jurídica e filosófica dessa lei:
A) A lei é perfeitamente harmônica com a
Teoria do Mínimo Ético, visto que o Direito deve absorver e normatizar a
totalidade dos preceitos da Moral e da Religião para garantir a paz.
B) A proposta viola a Teoria
do Mínimo Ético, pois o Direito deve representar apenas o mínimo de moral
necessário para assegurar a sobrevivência e a convivência pacífica da
sociedade, deixando o restante à livre escolha da consciência individual.
C) Segundo Jellinek, o Direito e a Moral
são círculos totalmente independentes que nunca se tocam, razão pela qual a
mentira não pode ser objeto de regulação por nenhum dos dois sistemas.
D) A Teoria do Mínimo Ético sustenta que
tudo o que é juridicamente permitido é moralmente louvável, o que valida a
criminalização da mentira no ambiente estritamente privado.
E) A coercibilidade estatal é incapaz de
atuar sobre normas jurídicas que possuam qualquer conteúdo ético, limitando o
Direito a regular aspectos puramente técnicos do trânsito e da burocracia.
Alternativa Correta: B
Justificativa: A teoria do
círculo concêntrico de Jellinek (Mínimo Ético) postula que a Moral é mais ampla
que o Direito. O Direito representa apenas uma parte da Moral, aquela porção
dotada de tamanha relevância para a paz e a sobrevivência social que necessita
receber a força da coercibilidade estatal. Criminalizar a mentira na vida privada
extrapola esse "mínimo", invadindo a esfera da moral pura. As
alternativas A, C e D distorcem a geometria da teoria (círculos concêntricos) e
a alternativa E nega o conteúdo ético intrínseco do Direito.
QUESTÃO
05 (Direito Objetivo e Subjetivo / Definição) - Um cidadão residente em Natal adquire um
terreno na zona norte da cidade. Pouco tempo depois de registrar o imóvel, o
proprietário descobre que a Prefeitura Municipal editou um novo Plano Diretor
(Lei Complementar Municipal) que estabelece restrições de altura para
construções naquela área devido à proximidade com uma zona de preservação
ambiental. O proprietário decide consultar um advogado para saber se pode
ingressar com uma ação judicial para garantir o seu direito de construir um
edifício residencial no local. Ao analisar o caso, o profissional explica a
diferença entre as normas gerais postas pelo Estado e a faculdade que o
proprietário possui decorrente dessas mesmas normas. Diante da classificação
clássica entre Direito Objetivo e Direito Subjetivo, assinale a resposta
correta:
A) O Plano Diretor do município
materializa o Direito Subjetivo, pois consiste no conjunto abstrato de normas
impositivas e gerais emanadas pelo poder público estatal.
B) A faculdade que o proprietário tem de
exigir que terceiros respeitem a sua propriedade e o poder de acionar o
Judiciário configuram o Direito Objetivo.
C) O Direito Objetivo e o Direito
Subjetivo são conceitos idênticos e sinônimos, inexistindo distinção prática ou
teórica na análise de conflitos imobiliários e ambientais.
D) O Plano Diretor municipal configura o
Direito Objetivo (norma agendi), ao passo que a prerrogativa do
proprietário de gozar do seu bem e defender seus interesses juridicamente
constitui o Direito Subjetivo (facultas agendi).
E) O Direito Subjetivo independe
totalmente do Direito Objetivo, existindo por força própria mesmo que não haja
nenhuma lei ou ordenamento jurídico estatal que o sustente ou reconheça.
Alternativa Correta: D
Justificativa: O Direito
Objetivo é a norma jurídica em si, o ordenamento posto pelo Estado (norma
agendi), como as leis e planos diretores. Já o Direito Subjetivo é o
poder, a faculdade ou prerrogativa dada ao sujeito pela norma jurídica de
exigir um determinado comportamento de outrem ou do próprio Estado (facultas
agendi). Um pressupõe o outro. As alternativas A e B invertem os
conceitos; a C diz que são idênticos; e a E defende um jusnaturalismo radical
isolado que quebra o nexo entre a norma que confere o direito e o poder de
exigi-lo.
QUESTÃO 06 (Direito
Subjetivo / Transmissibilidade) - Cláudio, renomado artista plástico potiguar,
celebrou um contrato de compra e venda com uma galeria de arte para a entrega
de três telas autorais inéditas pelo valor de R$ 50.000,00. Lamentavelmente,
antes de iniciar a pintura das telas, Cláudio veio a falecer em um acidente de
trânsito. O proprietário da galeria acionou os herdeiros de Cláudio exigindo
que eles próprios pintassem as telas ou que pagassem a dívida correspondente ao
adiantamento financeiro realizado. No inventário de Cláudio, constatou-se a
existência de bens patrimoniais e também de direitos autorais morais sobre suas
obras anteriores. Considerando a classificação dos direitos subjetivos em
transmissíveis e intransmissíveis, analise a exigibilidade da obrigação e
assinale a alternativa correta:
A) O talento artístico de Cláudio e o
direito personalíssimo de pintar as telas constituem direitos subjetivos
transmissíveis, obrigando os herdeiros a realizar a pintura.
B) O direito da galeria de
receber o reembolso do dinheiro adiantado possui caráter patrimonial e
transmissível aos herdeiros, que respondem nos limites das forças da herança
deixada pelo falecido.
C) Os direitos subjetivos não
patrimoniais, como o direito à vida e à integridade física do artista falecido,
são amplamente transmissíveis por contrato de compra e venda a terceiros.
D) A morte de Cláudio extingue tanto as
obrigações personalíssimas quanto as dívidas patrimoniais líquidas,
desobrigando o espólio de qualquer ressarcimento financeiro à galeria.
E) Todos os direitos subjetivos
existentes no ordenamento jurídico brasileiro são obrigatoriamente
transmissíveis, inexistindo a categoria de direitos intransmissíveis ou
personalíssimos.
Alternativa Correta: B - Justificativa:
Os direitos e obrigações patrimoniais são, como regra, transmissíveis (passam
aos herdeiros, nos limites da herança). A obrigação de fazer algo
personalíssimo (pintar um quadro devido ao talento específico) é
intransmissível, extinguindo-se com a morte do devedor (obrigação infungível).
No entanto, o direito de crédito patrimonial da galeria em reaver o valor pago
passa ao espólio. A alternativa A erra ao transmitir o talento; a C ao
transmitir direitos personalíssimos à vida; a D ao extinguir a responsabilidade
do espólio pelo dinheiro pago; e a E nega a própria existência dos direitos
intransmissíveis.
QUESTÃO 07 (Direito Subjetivo /
Patrimonial vs Não Patrimonial) - Uma famosa influenciadora digital de Natal
teve suas contas nas redes sociais invadidas por criminosos virtuais. Os
invasores deletaram todo o seu conteúdo técnico de trabalho, utilizaram sua
imagem para aplicar golpes financeiros nos seguidores e expuseram fotos
estritamente íntimas e privadas da influenciadora. Diante desse cenário de
profunda crise, a jovem ajuizou uma ação indenizatória pleiteando: (I) a
reparação pelos lucros que deixou de auferir com os contratos de publicidade
cancelados; e (II) uma compensação financeira a título de danos morais pela
violação absurda de sua honra, imagem e privacidade. Com base na divisão dos
direitos subjetivos em patrimoniais e não patrimoniais, assinale a opção
correta:
Os lucros cessantes decorrentes dos
contratos de publicidade cancelados constituem uma violação a um direito
subjetivo não patrimonial, dado que a internet é um espaço público imaterial.
B) A honra, a imagem e a privacidade da
influenciadora são classificadas como direitos subjetivos patrimoniais, pois
podem ser mensuradas financeiramente em qualquer balanço contábil empresarial.
C) A indenização pelos
contratos cancelados refere-se a um direito subjetivo patrimonial (avaliável em
dinheiro), enquanto a defesa da honra e da imagem refere-se a direitos
subjetivos não patrimoniais (direitos da personalidade, insuscetíveis de
valoração econômica direta).
D) O ordenamento jurídico brasileiro
protege unicamente os direitos subjetivos patrimoniais, deixando os direitos
não patrimoniais sem qualquer tutela ou possibilidade de compensação pecuniária
judicial.
E) Por se tratar de ambiente virtual,
nenhum direito subjetivo é violado, haja vista que o Direito Objetivo regula
estritamente as relações que ocorrem no mundo físico tangível.
Alternativa Correta: C Justificativa:
Os direitos subjetivos patrimoniais são aqueles que possuem conteúdo econômico
direto, integrando o patrimônio do sujeito (ex: contratos, créditos,
propriedades). Os direitos não patrimoniais não possuem valor econômico
intrínseco, ligando-se a valores existenciais, como os direitos da
personalidade (honra, imagem, intimidade). O reflexo financeiro da condenação
(indenização por dano moral) é apenas uma técnica de compensação, não
transformando o direito à honra em um bem comercializável. As demais
alternativas confundem os conceitos ou negam a proteção do direito no meio
digital.
QUESTÃO
08 (Direito Subjetivo / Real vs Obrigacional) - Imagine duas situações distintas ocorrendo
simultaneamente no bairro de Ponta Negra, em Natal: Na Situação "A",
Roberto celebra um contrato de locação residencial com Paula, obrigando-se a
pagar mensalmente a quantia de R$ 2.000,00 pelo uso de um apartamento. Na
Situação "B", Carlos junta suas economias e adquire a propriedade
plena de uma casa, efetuando o devido registro da escritura pública de compra e
venda no Cartório de Registro de Imóveis competente. Sob a ótica da distinção
científica entre Direitos Reais e Direitos Obrigacionais (ou pessoais), analise
a relação jurídica estabelecida por Roberto e por Carlos e assinale a
alternativa correta:
A) Roberto possui um direito real sobre
o apartamento locado, o que lhe confere um poder direto e absoluto sobre a
coisa, oponível contra toda a sociedade (erga omnes).
B) Carlos possui um direito obrigacional
com a sociedade em geral, necessitando da colaboração ativa de um sujeito
determinado para exercer as suas faculdades de proprietário da casa.
C) A situação de Roberto (locação) gera
um direito obrigacional, ligando dois sujeitos específicos (locador e
locatário), enquanto a situação de Carlos (propriedade) gera um direito real,
que incide diretamente sobre o imóvel e gera efeitos contra todos (erga
omnes).
D) Os direitos reais e obrigacionais
possuem a mesma estrutura jurídica, distinguindo-se apenas pelo fato de que os
direitos obrigacionais não dependem do Direito Objetivo para sua validade.
E) Carlos, por possuir direito real,
pode exigir judicialmente prestações mensais financeiras de qualquer cidadão de
Natal para custear a manutenção privada de sua residência.
Alternativa Correta: C Justificativa: O Direito
Obrigacional liga um sujeito ativo (credor) a um sujeito passivo (devedor),
exigindo uma prestação pessoal (ex: contrato de locação entre Roberto e Paula).
O Direito Real estabelece um poder jurídico direto e imediato do sujeito sobre
uma coisa (ex: o direito de propriedade de Carlos sobre a casa), gerando um dever
de abstenção em toda a sociedade, tendo eficácia absoluta ou erga omnes
(contra todos). As alternativas A e B invertem as teorias clássicas e as
alternativas D e E distorcem as regras de cobrança e a estrutura do direito.
QUESTÃO
09 (Sistemas Normativos / Teoria do Mínimo Ético) - O
professor de Introdução ao Estudo do Direito da Estácio Natal propôs uma
reflexão sobre a evolução do Direito Penal brasileiro. Ele apontou que,
historicamente, o adultério já foi considerado crime no Brasil (revogado apenas
em 2005), ao passo que a conduta de dirigir veículo automotor sem cinto de
segurança passou a ser severamente punida com multa administrativa e perda de
pontos na habilitação com o Código de Trânsito de 1997. Cruzando esse fenômeno
histórico com as lições sobre Sistemas Normativos e a Teoria do Mínimo Ético,
assinale a opção que analisa corretamente a movimentação das normas:
A) A descriminalização do adultério
comprova que a moral social é estática, enquanto o Direito é o único sistema
normativo que se altera com o passar das décadas.
B) A punição ao descumprimento do uso do
cinto de segurança exemplifica perfeitamente o Mínimo Ético clássico, pois não
usar cinto viola as leis mais profundas da religiosidade familiar e individual.
C) As mudanças demonstram que as
fronteiras do "mínimo ético" tutelado pelo Direito são dinâmicas;
condutas moralmente reprováveis podem deixar de ser objeto de coerção jurídica
(como o adultério), enquanto deveres técnicos e de segurança social ganham
força coercitiva jurídica.
D) A Teoria do Mínimo Ético determina
que toda conduta considerada imoral deve ser obrigatoriamente tipificada como
crime pelo Poder Legislativo para a manutenção da ordem.
E) O fato de o adultério não ser mais
crime significa que a sociedade potiguar o absorveu como uma conduta
juridicamente obrigatória em todos os relacionamentos civis.
Alternativa Correta: C Justificativa: O conteúdo do
Direito e da Moral é histórico e dinâmico. O Mínimo Ético reflete o que o
Estado julga essencial para a paz e segurança de uma época específica. O
adultério saiu da esfera jurídica (permanecendo na esfera moral/religiosa de
muitos), enquanto o uso do cinto de segurança entrou na esfera jurídica devido
à necessidade de preservação da integridade física pública e custos sociais de
saúde. As alternativas A, D e E trazem conceitos de imutabilidade ou
obrigatoriedade equivocados e a B confunde segurança com religiosidade.
QUESTÃO
10 (Direito Objetivo e Subjetivo / Aplicação Prática) - O artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição
Federal da República Federativa do Brasil enuncia textualmente: "A lei
não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
julgada". Esse dispositivo fundamental serve de escudo protetor para
os indivíduos face às inovações legislativas do Estado. Suponha que uma nova
lei federal altere os requisitos para a concessão de um determinado benefício
previdenciário, tornando-os muito mais rígidos. João, trabalhador que já havia
preenchido todos os requisitos da lei antiga antes de a nova lei entrar em
vigor, aciona a Justiça para garantir a sua aposentadoria nos moldes antigos.
Diante do binômio Direito Objetivo e Direito Subjetivo, o pleito de João
justifica-se porque:
A) A Constituição Federal é um exemplo
de Direito Subjetivo puro que confere imunidade absoluta aos cidadãos,
impedindo o Estado de criar novas leis objetivas.
B) João titulariza um Direito Subjetivo
(o direito adquirido à aposentadoria), assegurado pelo Direito Objetivo vigente
ao tempo em que implementou as condições legais estabelecidas pelo Estado.
C) O benefício da aposentadoria se
enquadra na categoria de Direito Subjetivo Real, conferindo a João o poder de
oposição física e imediata sobre as contas do Tesouro Nacional.
D) A nova lei federal revoga
automaticamente os direitos subjetivos outrora adquiridos, haja vista que o
Direito Objetivo posterior sempre anula os atos jurídicos perfeitos do passado.
E) O pleito de João é de natureza
estritamente moral e política, carecendo de fundamentação jurídica e de
coercibilidade institucional para sua efetiva implementação prática.
Alternativa Correta: B Justificativa: O direito
adquirido é a perfeita fusão do binômio: o trabalhador cumpriu os requisitos
fixados pelo Direito Objetivo (norma agendi da época), incorporando ao
seu patrimônio jurídico um Direito Subjetivo (facultas agendi de
exigir a aposentadoria). Esse direito subjetivo fica protegido de alterações
legislativas posteriores. A alternativa A inverte a classificação da CF (que é
direito objetivo); a C erra ao classificar o benefício como direito real (é um
direito de crédito/obrigacional face à autarquia previdenciária); a D ignora a
proteção constitucional ao direito adquirido; e a E afasta a juridicidade do
pleito de João.






0 Comentários